Obama dá inicio a caravana de ônibus para alavancar popularidade

Barack Obama em Minneapolis, no estado de Minessota. Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Obama enfrenta baixa popularidade após o rebaixamento da nota da dívida americana

No momento em que enfrenta o mais baixo índice de popularidade desde o início de seu governo, agravado pela crise de confiança na economia americana e o temor de nova recessão, o presidente Barack Obama iniciou nesta segunda-feira uma viagem em um ônibus no qual percorrerá três Estados do meio-oeste dos Estados Unidos.

O giro começou por Minnesota. Obama chegou pela manhã à capital, St. Paul, a bordo do Air Force One, o avião presidencial, e embarcou imediatamente em um ônibus preto rumo à cidade de Cannon Falls.

Além de Minnesota, a primeira viagem de ônibus de Obama como presidente inclui também paradas em Iowa e Illinois, três Estados nos quais venceu nas eleições de 2008, mas onde a deterioração da situação econômica acabou prejudicando a popularidade do presidente.

Segundo o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, o presidente escolheu fazer a viagem de ônibus para ter a oportunidade de visitar comunidades nas quais o acesso seria difícil em um avião do porte do Air Force One.

Apesar de anunciada pela Casa Branca como uma iniciativa com foco na economia, na qual Obama pretende ouvir a população e levar uma mensagem de compromisso com a geração de empregos, a viagem tem sido criticada pela oposição como um esforço de campanha em um momento delicado para o país.

Obama já anunciou que vai concorrer à reeleição em 2012 e vem intensificando sua participação em eventos relacionados à campanha e à arrecadação de fundos.

Nesta segunda-feira, Mitt Romney, o ex-governador de Massachusetts que por enquanto lidera as pesquisas de intenção de voto entre possíveis candidatos republicanos, divulgou um comunicado no qual critica Obama por estar “mais interessado em fazer campanha” do que em resolver a crise econômica.

Instabilidade

A viagem de Obama ocorre pouco mais de uma semana após a agência de classificação de risco Standard & Poor's ter rebaixado a nota dos Estados Unidos, decisão tomada depois de um impasse de várias semanas entre democratas e republicanos nas negociações para elevar o teto da dívida do país e evitar um calote.

O rebaixamento da nota americana provocou uma onda de instabilidade nos mercados mundiais e o temor de que o país mergulhe em uma nova recessão, com impactos negativos no resto do mundo.

Na última sexta-feira, ao fim de uma semana de turbulência após o anúncio da Standard & Poor's, o índice de confiança do consumidor americano chegou ao menor patamar em mais de três décadas. Segundo o levantamento feito pela Universidade de Michigan, o índice caiu a 54,9 pontos, o nível mais baixo desde maio de 1980.

O desemprego, foco da viagem presidencial, continua a ser um dos principais problemas da economia americana e uma das principais preocupações dos eleitores, com uma taxa que não baixa de 9% e que, segundo o próprio governo, ainda deve permanecer alta por muito tempo.

Além de representar mais um golpe no já lento ritmo da recuperação da economia americana, o rebaixamento da nota dos Estados Unidos também provocou intensa troca de acusações entre democratas e republicanos e deu nova munição à oposição nas críticas a Obama.

Os republicanos que buscam a indicação do partido para concorrer à Presidência nas eleições de 2012 passaram a semana reforçando as acusações a Obama, a quem culpam pelo rebaixamento da nota da dívida e pelo estado geral da economia.

Novo fôlego

O roteiro de Obama passa por vários locais também visitados por seus adversários republicanos nos últimos dias e ocorre em um momento em que a campanha do partido rival parece estar ganhando novo fôlego.

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Image caption Michele Bachman venceu disputa republicana no final de semana

Neste fim de semana, a deputada Michele Bachmann, de Minnesota, uma das estrelas do movimento conservador Tea Party, foi a vencedora de uma eleição simulada no Estado de Iowa - um dos destinos da viagem de Obama.

Apesar de não ter valor oficial, o resultado em Iowa serve como termômetro da disposição dos eleitores. O pré-candidato Tim Pawlenty, ex-governador de Minnesota, acabou desistindo da campanha após ter sido derrotado pela conterrânea Bachmann.

A disputa pela indicação republicana também foi movimentada no último sábado pela chegada do governador do Texas, Rick Perry, que entrou oficialmente na corrida presidencial já bem colocado nas pesquisas.

Nesse clima de campanha, o giro de Obama pelo meio-oeste será a última atividade oficial do presidente antes de entrar em férias. A partir de quinta-feira, Obama segue com a família para o balneário de Martha's Vineyard, em Massachusetts.

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