Estrada com financiamento brasileiro na Amazônia boliviana é alvo de protesto

Atualizado em  16 de agosto, 2011 - 11:27 (Brasília) 14:27 GMT

Player

Comunidades indígenas reclamam que obras destruirão floresta e biodiversidade.

Para executar este conteúdo em Java você precisa estar sintonizado e ter a última versão do Flash player instalada em seu computador.

Formatos alternativos

Protesto na Bolívia

Manifestantes fizeram protesto em frente à embaixada do Brasil na Bolívia

Milhares de pessoas na Bolívia começaram esta semana uma caminhada de 500 quilômetros contra a construção de uma rodovia que atravessa um parque indígena.

Os manifestantes reclamam que o projeto do governo de Evo Morales vai promover a colonização de terras ao redor da estrada, destruindo a biodiversidade local e a cultura de três etnias indígenas.

A estrada de 300 quilômetros será construída pela empreiteira OAS, com financiamento de US$ 320 milhões do BNDES. O governo brasileiro alerta, no entanto, que só vai liberar os recursos se os bolivianos chegarem a um acordo sobre o projeto.

O Parque Nacional e Território Indígena Isiboro Sécure, conhecido como Tipnis, tem 1,2 milhões de hectares e possui uma das maiores reservas de água da América do Sul. Ativistas acreditam que a construção da estrada poderá resultar no desmatamento de 600 mil hectares ao longo dos próximos 20 anos.

A estrada está sendo construída para facilitar o transporte de mercadorias entre a região de Beni e La Paz. O plano foi lançado em 1990, e desde então mais de 900 abaixo-assinados foram feitos exigindo que o território seja respeitado e protegido.

'Consenso'

Obra em Tipnis

Indígenas reclamam que obra provocará desmatamento no parque nacional

O projeto tem financiamento do governo brasileiro, que afirma que só repassará todas as verbas quando os bolivianos chegarem a um consenso sobre a estrada.

"O objetivo é que o financiamento brasileiro seja condicionado a um projeto que atenda aos requisitos bolivianos e brasileiros", disse o embaixador do Brasil na Bolívia, Marcel Biato.

"Não existe atividade humana que não tenha impacto ambiental. Nós acreditamos que isso gera crescimento econômico e prosperidade. Me parece que a questão principal agora é como construir um consenso democrático; não é unanimidade, que não existe na política, mas sim consenso."

O projeto mobilizou demonstrações na Bolívia organizadas pelas redes sociais.

"O Tipnis é importante por causa da sua biodiversidade. Mais de 3,6 mil espécies de fauna vivem lá. Nós exigimos respeito aos direitos humanos das comunidades indígenas: os Yucarae, os Moxenhos e os Chiman", afirma a ativista Daniela Leyton.

"Há tesouros de madeira, vegetação e culturas de três comunidades, que possuem direitos inalienáveis."

Recentemente, o governo boliviano anunciou que existe petróleo e gás na região de Tipnis.

BBC © 2014 A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos.

Esta página é melhor visualizada em um navegador atualizado e que permita o uso de linguagens de estilo (CSS). Com seu navegador atual, embora você seja capaz de ver o conteúdo da página, não poderá enxergar todos os recursos que ela apresenta. Sugerimos que você instale um navegados mais atualizado, compatível com a tecnologia.