Jornalista diz que chefes de tabloide sabiam de grampos

Clive Goodman/PA Direito de imagem BBC World Service
Image caption Goodman disse que esperava ser recompensado por seu silêncio com um novo emprego

Parlamentares britânicos divulgaram nesta terça-feira uma carta escrita por um ex-jornalista do tabloide News of the World, na qual ele afirma que os diretores do jornal sabiam sobre a prática de grampear telefones.

A carta foi enviada em 2007 pelo ex-editor do jornal Clive Goodman à empresa que controla o tabloide, a News International, logo depois ter sido demitido.

Especializado em assuntos ligados à monarquia britânica, ele foi o único condenado até agora por interceptar mensagens telefônicas.

Goodman foi preso por quatro meses em 2007 após se declarar culpado. À época, a News International disse que ele agiu sozinho e nenhum outro jornalista estaria envolvido nos crimes.

A empresa alegou grave erro de comportamento para demiti-lo um mês após a condenação.

Promessa

Após perder o emprego, Goodman reclamou por meio de carta com o departamento de recursos humanos, afirmando que sua demissão era inconsistente "porque outros funcionários realizavam as mesmas práticas".

"A prática era abertamente discutida em reuniões editoriais diárias, até que o editor proibiu referências explícitas a ela."

"Até onde sei, nenhum outro funcionário foi advertido disciplinarmente ou muito menos demitido", completou.

Ele disse que lhe foi prometido um futuro emprego no jornal se ele não acusasse nenhum outro funcionário da empresa durante o julgamento.

Goodman disse que esperou em vão que a empresa cumprisse sua promessa.

Quando Goodman foi condenado, o então editor do News of the World Andy Coulson se demitiu. Até 21 de janeiro, Coulson ocupou o cargo de diretor de comunicações do premiê britânico David Cameron. Ele deixou o cargo após o escândalo sobre os grampos do jornal.

Um porta-voz da News International disse que reconhecia "a seriedade do material divulgado pela polícia e pelo Parlamento” e afirmou estar comprometido a ”trabalhar de forma aberta e construtiva com todas as autoridades relevantes".

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