Irã condena americanos a 8 anos de prisão por espionagem, diz TV

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Image caption Bauer (esq.) e Fattal foram acusados de entrar ilegalmente no Irã e de espionagem

Dois jovens americanos acusados de espionagem foram condenados a oito anos de prisão, segundo informou a TV estatal iraniana.

Os dois americanos - Shane Bauer, de 28 anos, e Josh Fattal, de 29 - foram presos no Irã em 2009, após terem entrado no país tendo cruzado a fronteira do Irã com o Iraque.

Segundo a TV estatal, eles teriam recebido três anos de pena por terem entrado no país ilegalmente e outros cinco por espionagem.

Os dois se defendem, dizendo que eram apenas viajantes participando de uma caminhada e que entraram no Irã por engano.

O advogado que representa os americanos, Masoud Shafii, disse à BBC que irá recorrer da sentença.

Ele disse não ter recebido quaisquer informações sobre os dois desde que o julgamento deles foi encerrado, no mês passado.

Fiança

A americana Sarah Shourd, que viaja com Bauer e Fattal, foi libertada no ano passado, após o pagamento de uma fiança no valor de US$ 500 mil.

Citando uma fonte jurídica, a TV estatal afirmou que seu caso permanece em aberto - ela não voltou ao Irã para comparecer ao julgamento.

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Image caption Sarah Shourd estavam com os americanos durante a prisão, mas foi libertada sob fiança em 2010

O governo americano disse estar tentando confirmar a informação sobre a condenação dos dois jovens por meio de representantes suíços, que são os responsáveis pela diplomacia entre os dois países. Isso porque Washington e Teerã não têm relações diplomáticas.

“Fizemos diversos apelos pela libertação de Shane Bauer e Joshua Fattal, que estão presos no Irã há dois anos”, disse a porta-voz do departamento de Estado Victora Nuland.

“Eles estão presos há muito tempo, já é hora de reuni-los com suas famílias.”

Caminhada

Bauer, que é jornalista e fluente em árabe, se mudou em 2008 para Damasco, na Síria, onde vivia com Sarah, uma ativista do direito das mulheres, escritora e professora. Os dois se conheceram durante um protesto contra a participação dos EUA na guerra do Iraque.

Fattal, que é professor e ambientalista, viajou para Damasco em 2009 para visitar o casal.

Os três – que estudaram na Universidade de Berkeley, na Califórnia – viajaram para o Curdistão iraquiano, onde passariam uma semana.

Quando visitavam a cidade turística de Ahmed Awa, decidiram fazer uma caminhada em uma trilha, por sugestão de moradores do local, de acordo com Sarah.

Durante o trajeto, eles foram presos por militares do Irã, que lhes disseram que eles estavam em território iraniano. Os três mantém desde então a versão de que se eles realmente entraram no Irã, o fizeram por engano.

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