Confrontos com rebeldes chegam a Trípoli

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Image caption Zawiya, a oeste da capital, também foi tomada pelas forças anti-Khadafi

Explosões e troca de tiros foram ouvidas durante várias horas da noite de sábado na capital da Líbia, Trípoli, indicando que os rebeldes que lutam contra o regime de Muamar Kadhafi chegaram à capital do país.

Um correspondente da BBC em Trípoli afirmou que as rajadas de tiros pareciam mais com uma batalha real do que com tiros disparados para celebrar algo, como é comum no país.

Moradores relataram ter presenciado confrontos entre rebeldes e tropas do governo em alguns bairros da capital. Nos últimos dias, eles conquistaram cidades importantes próximas a Tripoli e já ameaçavam entrar na capital.

No entanto, Khadafi fez um pronunciamento na madrugada de domingo, dizendo que seus partidários haviam derrotado os "ratos" em Trípoli e convocou um protesto.

"Temos que colocar um fim nesses falsários. Vocês devem marchar aos milhões para libertar as cidades destruídas e controladas pelos rebeldes", disse.

Ele também acusou o presidente francês, Nicolas Sarkozy, de querer roubar o petróleo do país.

Um líder rebelde, Abdel Hafiz Ghoga, disse que a declaração de Khadafi é falsa e afirmou que seus partidários em Trípolis estão intensificando os ataques, já que há reforços a caminho vindo do leste e do sul do país.

Segundo Mathew Price, correspondente da BBC em Trípoli, há relatos de protestos anti-Khadafi nas regiões norte e leste da cidade.

Os rebeldes conquistaram cidades estratégicas nos últimos dias, se fortalecendo contra o regime de Khadafi.

Eles capturaram a cidade de Zlitan, a 150 quilômetros a leste de Trípoli, neste sábado, além de Zawiya, a 30 quilômetros a oeste da capital.

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Image caption Conquista de Zawiya foi importante para rebeldes

Avanços

No entanto, as forças do governo expulsaram os rebeldes da cidade portuária de Brega, após um intenso bombardeio.

A campanha de bombardeios contra alvos do regime líbio promovida pela Otan impediu que o governo enviasse reforços a Zawiya, o que permitiu aos rebeldes controlar a cidade e obrigou combatentes pró-Khadafi a fugirem.

Os combatentes anti-Khadafi divulgaram neste sábado um comunicado transmitido pela emissora de TV que eles controlam pedindo aos moradores de Trípoli que se preparem para a chegada deles.

O ministro da Informação, Moussa Ibrahim, disse que a situação estava sob controle, responsabilizando gangues armadas pelos confrontos. “Vamos vencer”, disse.

De acordo com Price, Khadafi tem uma grande base de apoio em Trípoli. Nas últimas semanas, foram criados diversos postos de controle na cidade e homens e mulheres receberam treinamento para aprender a operar armas.

Mercenários

Após ir até Zlitan, a correspondente da BBC Orla Guerin disse que os rebeldes haviam controlado a cidade, com postos de controle em vários locais.

No entanto, ela afirmou que ainda há riscos de ataque das forças do governo, que não estão longe das divisas de Zlitan.

Outro repórter da BBC na Líbia, Ruper Wingfiel-Hayes, confirmou que Zawiya também estava na mão dos rebeldes.

Ele viu vários corpos de africanos da região subsaariana nas ruas – há suspeitas de que rebeldes dessa região tenham sido contratados por Khadafi para atuarem como mercenários.

Fuga

Enquanto o conflito se acirra, há relatos de que funcionários de alto escalão do governo líbio estariam deixando o país.

Abdessalem Jalloud, um ex-primeiro-ministro líbio, teria deixado a capital e estaria fugindo para a Europa, via Tunísia.

O ministro do Petróleo, Omran Abukraa, não retornou ao país após uma visita, na quinta-feira, à Itália. Na volta, ele teria permanecido na Tunísia.

O conflito líbio teve início em fevereiro, inspirado pelas revoluções na Tunísia e no Egito, que derrubaram os presidentes.

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