Confrontos entre tropas do governo e rebeldes explodem no centro de Trípoli

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Image caption Combatente rebelde celebra a conquista de um posto militar nos arredores de Trípoli

Centenas de rebeldes líbios entraram na capital, Trípoli, vindos de cidades conquistadas no oeste do país.

Confrontos intensos ocorreram em diversos pontos da cidade neste domingo, inclusive na região central, de acordo com jornalistas que viajam com os rebeldes.

Eles foram saudados por uma multidão de civis nas ruas, que gritavam frases contra o regime de Muamar Khadafi e agitavam a bandeira dos rebeldes.

Horas antes, as forças antigoverno haviam tomado o controle de postos militares nas vias de acesso a oeste de Trípoli, onde pegaram armas e munições.

Outro grupo de rebeldes levantou bases de controle nos subúrbios a leste da capital, intensificando o cerco às forças de Khadafi em Trípoli.

Massas armadas

Khadafi fez um pronunciamento televisionado – o segundo em dois dias - no qual garantiu que não vai abandonar Trípoli. Seus partidários afirmam que dezenas de milhares de combatentes o defenderão.

“Vamos lutar até liberarmos cada centímetro de terra e evitar que ela seja ocupada. Estou com vocês nessa batalha. Não vamos entregar Trípoli para os colonialistas e traidores”, disse Khadafi.

“Saiam às ruas aos milhares. Os que não tiverem armas devem nos procurar para receber uma. As massas devem se armar.”

Nos últimos dias, homens e mulheres que residem na cidade receberam armas e treinamento para lutar contra as milícias anti-Khadafi.

Hora zero

De acordo com o correspondente da BBC em Trípoli Matthew Price, nas áreas onde não há batalhas, os moradores estão evitando sair nas ruas.

Price afirma que os rebeldes chamaram essa incursão de “hora zero”, quando a revolução voltou à capital líbia.

“Durante toda a madrugada e o dia de hoje, ouvimos o barulho das explosões, das metralhadoras e de outras armas. Os dois lados estão lutando o que pode ser a batalha final de um conflito que já dura seis meses”, disse o correspondente.

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Image caption Rebeldes avançam rumo a Trípoli a partir de várias frentes

Uma fonte do governo líbio afirmou que as líderes tribais estão se preparando para se defenderem. Há um temor, segundo Price, nos círculos do governo de que se os rebeldes tomarem Trípoli, a cidade poderia ser palco de uma guerra tribal.

“O governo está perdendo o poder, mas o que virá depois pode não ser uma transição tranquila como desejam as forças ocidentais”, afirma Price.

Mortos e feridos

De acordo com a agência de notícias Reuters, um funcionário do governo afirmou que 376 pessoas, entre rebeldes e forças do governo, foram mortas na madrugada deste domingo e que mais de mil ficaram feridas.

O cerco dos rebeles à Trípoli se intensificou a partir de sexta-feira, quando eles conquistaram cidades importantes próximas à capital que até então estavam sob domínio do governo. Entre elas estão Zawiya, a 50 quilômetros ao oeste de Trípoli, e Zlitan, a 160 quilômetros a leste.

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Image caption Zawiya é uma das cidades recentemente conquistada pelos rebeldes

O ministro da Informação, Moussa Ibrahim, acusou os rebeldes neste domingo de estarem massacrando a população de cidades e vilarejos nos últimos dias.

Ao mesmo tempo, ele fez um apelo para que os rebeldes aceitem negociar. “Se vocês querem paz, estamos prontos”, disse.

Ibrahim também acusou a Otan de “abrir estradas para os rebeldes, que são fracos demais para fazer qualquer coisa sozinhos”.

O porta-voz da Otan Roland Lavoie disse à BBC que a organização estava envolvida apenas na proteção dos civis líbios.

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