Khadafi conclama partidários a 'vencer ou morrer' em combate a rebeldes

Atualizado em  23 de agosto, 2011 - 23:15 (Brasília) 02:15 GMT

Rebeldes pisam em estátua durante invasão do QG de Khadafi

Fortaleza na capital líbia foi invadida após horas de batalha.

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Formatos alternativos

O líder líbio Muamar Khadafi conclamou seus partidários a resistir e prometeu "martírio ou vitória" contra a ofensiva rebelde a Trípoli, em discurso transmitido por rádio e pela TV estatal na noite de terça-feira.

Khadafi, cujo paradeiro continua desconhecido, disse que fez uma "retirada tática" de seu quartel-general em Bab al-Aziziya - ocupado na terça-feira por forças rebeldes.

"Todos os líbios devem estar presentes em Trípoli, jovens homens, líderes tribais e mulheres devem varrer Trípoli em busca de traidores. Estive nas ruas de Trípoli rápida e discretamente, sem ser visto pelas pessoas, e... não senti que Trípoli está em perigo", disse ele.

O porta-voz de Khadafi, Moussa Ibrahim, falou à TV Al-Urubah, dizendo que seis mil voluntários haviam chegado à Líbia para lutar por Khadafi. A informação não pôde ser confirmada por fontes independentes.

Não se sabe se Khadafi ou sua família estavam em Bab al-Aziziya no momento do ataque. Acredita-se que a família de Khadafi tenha acesso a vários bunkeres em Trípoli e outras cidades líbias, inclusive na cidade natal de Khadafi, Sirte - que é um bastião de forças leais a seu regime.

Dezenas de disparos de mísseis e morteiros foram registrados em Trípoli, de acordo com o relato de testemunhas à rede de TV árabe Al-Arabiya.

A mesma emissora afirma que a cidade de Ajelat, a oeste da capital, foi alvo de ataques de mísseis e de tanques por parte das forças leais a Khadafi.

Cartaz de Khadafi é atacado em hotel em Trípoli. AP

Membros do CNT já preparam transferência para Trípoli, onde povo comemora queda do regime

Mísseis também foram disparados contra a cidade de Misrata, sob controle dos insurgentes, no oeste do país.

A correspondente da BBC em Trípoli Rana Jawad diz que existe um sentimento sincero de que o regime de Khadafi chegou ao fim, mas que as comemorações começaram de verdade somente quanto ele e sua família forem encontrados.

Jawad afirma ainda que os comentários do porta-voz do governo, embora sejam provavelmente exagerados, ainda podem causar medo em Trípoli, já que muitas pessoas ainda temem que Khadafi esteja planejando um contra-ataque de grandes proporções.

Clique Leia mais: Rebeldes saqueiam QG de Khadafi em Trípoli

Julgamento

Integrantes do Conselho Nacional de Transição, baseado em Benghazi, já se preparam para a transferência para a capital líbia.

O porta-voz do Conselho, Hany Hassan Soufrakis, disse à BBC que o sistema judiciário da Líbia não está preparado para um eventual julgamento de Khadafi, e que por isso o processo deve ocorrer no Tribunal Penal Internacional, em Haia, na Holanda.

Courtenay Griffiths, que defendeu o ex-presidente da Libéria Charles Taylor no TPI, disse à BBC que um possível julgamento de Khadafi não deve ocorrer antes de quatro ou cinco anos.

O CNT já é reconhecido como governo interino pelos Estados Unidos e por vários países da Europa e do mundo árabe.

Militante rebelde celebra fim do regime, em Benghazi. AP

CNT já é reconhecido como governo interino por países árabes, europeus e pelos EUA

Nigéria, Marrocos, Iraque, Grécia, Egito e Bahrein reconheceram nesta terça-feira o Conselho como governo interino.

Destoando da posição da maioria dos países, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que continuará reconhecendo Khadafi como líder legítimo líbio, expressando solidariedade ao "povo bombardeado da Líbia".

Brasil

O ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse nesta terça-feira que o Brasil aguardará a posição da ONU para decidir se reconhecerá a soberania dos rebeldes líbios.

Patriota afirmou que não teme por represálias dos rebeldes às empresas brasileiras que atuam na Líbia.

Companhias como a Odebrecht, Queiroz Galvão e Petrobras têm investimentos no país árabe e aguardam o desenlace dos conflitos para definir ações futuras.

Segundo ele, o embaixador do Brasil no Egito, Cesário Melantonio Neto, obteve garantias dos rebeldes de que os contratos firmados pelas companhias brasileiras durante o governo de Khadafi serão honrados.

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