ONU adverte contra vingança e abusos na Líbia

Atualizado em  26 de agosto, 2011 - 06:37 (Brasília) 09:37 GMT

Trípoli tem sinais de atrocidades de Khadafi

Após semana de combates, cidade carece de eletricidade, água, policiamento e coleta de lixo.

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Formatos alternativos

A ONU exortou os dois lados do conflito na Líbia a adotar medidas para evitar atos de violência ou vingança.

O chamado foi feito à medida que surgem relatos de abusos e execuções sumárias, tanto do lado rebelde quanto de forças leais a Muamar Khadafi.

A ONU também concordou em liberar US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 2,4 bilhões) - que tinham sido congelados devido a sanções - para ajuda humanitária.

Na quinta-feira, jornalistas da BBC testemunharam sinais de massacres nos confrontos em Trípoli.

Em um hospital no distrito de Mitiga, o repórter Rupert Wingfield-Hayes contou 17 corpos, todos de militantes rebeldes. Segundo médicos, os rebeldes tinham sido presos pelas forças de Khadafi em uma escola. Os corpos apresentam marcas de tortura e de muitos disparos.

Há relatos de pelo menos uma execução sumária.

"Metade dos 17 corpos tinha marcas de tiro na nuca. Muitos estão desfigurados, com ferimentos nas pernas e nos braços que não têm explicação", disse um médico, que não se identificou.

Reuters

Rebeldes cercam homem leal a Khadafi no bairro de Abu Salim: preocupação

Crimes de guerra

O chefe do escritório da BBC no Oriente Médio, Paul Danahar, viu corpos de dois soldados leais a Khadafi também com sinais de execução. Os dois militares foram mortos com as mãos amarradas junto às costas.

Um porta-voz da Cruz Vermelha disse à BBC que os dois lados mantêm centenas de prisioneiros. Robin Waudo pediu às partes envolvidas que respeitem os direitos de prisioneiros de guerra, dispostos em convenções internacionais.

"Exortamos todos em posições de autoridade na Líbia, incluindo comandantes militares, a tomar medidas para evitar que nenhum crime, ou ato de vingança, seja cometido"

Rupert Colville, porta-voz de direitos humanos da ONU

A Anistia Internacional também denunciou execuções sumárias de prisioneiros nos dois lados do conflito.

O porta-voz de direitos humanos da ONU, Rupert Colville, disse que é difícil confirmar relatos de execuções sumárias e tortura, mas afirmou que denúncias do gênero serão investigadas pela Comissão de Inquérito da Líbia - órgão já existente.

"Exortamos todos em posições de autoridade na Líbia, incluindo comandantes militares, a tomar medidas para evitar que nenhum crime, ou ato de vingança, seja cometido", disse ele.

A ONU já havia afirmado que algumas ações militares poderiam ser classificadas como crimes de guerra e contra a humanidade.

AFP

Rebeldes a caminho de Sirte, cidade natal de Khadafi

No começo da semana, o presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT), Mustafa Abdul Jalil, exortou rebeldes a não se envolver em atos de vingança contra combatentes pró-Khadafi, ameaçando renunciar se seu chamado não surtisse efeito.

Combates

A batalha continua em Trípoli, que está quase completamente sob controle rebelde. Na quinta-feira, houve intensos confrontos no bairro de Abu Salim, um dos poucos bastiões leais a Khadafi na capital.

Os rebeldes partiram para uma ofensiva contra a cidade natal de Khadafi, Sirte, mas enfrentam forte resistência. Há relatos de que aviões da Otan bombardearam a cidade na madrugada.

Em um discurso transmitido na quinta-feira por uma TV favorável a Khadafi, o líder líbio convocou tribos aliadas para "liberar Trípoli" e para capturar e matar "os ratos (inimigos), rua por rua, casa por casa".

Khadafi pediu ainda aos aliados que levassem suas "mulheres e crianças para purificar Trípoli".

O paradeiro do líder líbio ainda é desconhecido.

Clique Leia mais na BBC Brasil: Khadafi promete 'destruir' rebeldes e pede resistência contra 'intervenção'

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