Civis precisam ser protegidos do regime sírio, diz comissão da ONU

Repressão em Homs. AP Direito de imagem AP
Image caption Segundo a ONU, mais de 2.200 pessoas já morreram na repressão aos protestos

A comissão da ONU que esteve nos últimos dias na Síria, monitorando violações de direitos humanos no país árabe, disse nesta sexta-feira que os civis do país precisam de "proteção urgente" contra o regime do presidente Bashar al-Assad.

Em comunicado, a missão formada na última semana por decisão do Conselho de Segurança da ONU afirmou que a população síria está "sob constante ameaça".

Segundo o Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, pelo menos 2.200 pessoas morreram na repressão aos protestos que, desde março, pedem reformas democráticas no país, controlado há 40 anos pela família Assad.

Segundo entidades de defesa dos direitos humanos, oito pessoas morreram na última madrugada no país. Na tarde desta sexta-feira, a última do mês sagrado do Ramadã, mais três pessoas foram mortas.

Em declarações veiculadas pela agência Reuters, o porta-voz da missão, Farhan Haq, disse que "a presença constante de representantes do governo limitou a capacidade da missão de verificar de maneira independente e completa a situação (no país árabe)".

O relatório sobre a situação dos direitos humanos no país, divulgado na última semana, pede ao Conselho de Segurança que “considere levar a situação síria para o Tribunal Penal Internacional” (TPI, com sede na Holanda).

O documento afirma que as forças sírias usaram com regularidade três métodos para matar civis: soldados no terreno, atiradores nos telhados e bombardeios aéreos.

Foram descritas também execuções sumárias e o uso de frequentes batidas em hospitais para matar manifestantes feridos, além de relatos de tortura e detenções arbitrárias.

Conselho de Segurança

A ONU afirma que Assad tem usado tanques e tropas na repressão às manifestações. Segundo as autoridades sírias, mais de 500 membros do Exército foram mortos por opositores.

À medida em que aparecem mais evidências de violações de direitos humanos, aumentam no Conselho de Segurança as discussões sobre imposição de sanções mais duras contra a Síria.

O endurecimento da ONU, no entanto, enfrenta a oposição de Rússia e China, membros permanentes do Conselho de Segurança,. Brasil, Índia e África do Sul, que possuem cadeiras rotativas, também defendem uma solução negociada.

Cartunista

A repressão do regime de Assad não poupa nem as personalidades sírias – entre elas, um dos mais conhecidos cartunistas do país, Ali Ferzat.

Ferzat foi espancado e está internado por forças leais ao regime, segundo ativistas de direitos humanos.

O cartunista fez várias charges críticas ao governo nas últimas semanas.

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