Argélia defende decisão de receber família de Khadafi

A mulher e os filhos de Muamar Khadafi (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Argelinos disseram que familiares de Khadafi não estavam em lista de procurados

O representante da Argélia na ONU defendeu a decisão de seu país de receber a mulher e três filhos do líder líbio foragido Muamar Khadafi.

Em entrevista à BBC, o representante argelino Mourad Benmehidi disse que existe na região uma ''regra sagrada de hospitalidade''.

O governo argelino afirmou que a decisão se deu por razões humanitárias e que os familiares de Khadafi que a Argélia concordou em receber não se encontram em listas de procurados.

Um porta-voz rebelde disse que a decisão foi ''um ato de agressão contra o povo líbio'' e afirmou que serão usados todos os meios legais para obrigá-los a regressar à Líbia.

Decisão

O governo da Argélia informou na segunda-feira que integrantes da família de Muamar Khadafi estavam no país. A localização de Khadafi, no entanto, permanece desconhecida.

Em uma declaração divulgada pela agência de notícias estatal argelina, a APS, o Ministério do Exterior da Argélia afirmou que a mulher de Khadafi e três de seus filhos cruzaram a fronteira vindos da Líbia na manhã de segunda-feira.

Entre os familiares do líder líbio que conseguiram entrar na Argélia estão a esposa Safia, a filha Ayesha, o filho mais velho, Muhammad, que teria escapado depois de se entregar às forças rebeldes em Trípoli, e outro filho, Hannibal.

No entanto, o Ministério não deu informações sobre o paradeiro de Muamar Khadafi, que continua desconhecido desde que os rebeldes tomaram a maior parte da capital líbia na semana passada.

Jon Leyne, repórter da BBC que está em Benghazi, leste da Líbia, afirmou que os primeiros rumores de que a família de Khadafi tinha saído da Líbia foram divulgados pelos rebeldes durante o final de semana.

Naquela ocasião, as autoridades argelinas negaram que um comboio tivesse cruzado a fronteira entre os dois países.

Também nesta segunda-feira, um canal de TV ligado aos rebeldes afirmou que outro filho de Khadafi, Khamis, teria sido morto. A informação não pôde ser confirmada de maneira independente.

Otan

A notícia sobre o paradeiro da família de Khadafi foi divulgada em um momento em que as forças rebeldes da Líbia ainda tentam derrotar o que restou das forças leais a Khadafi.

Os rebeldes continuam os preparativos para um ataque contra a última área em poder das forças leais a Khadafi, a cidade de Sirte.

Os líderes do movimento rebelde fizeram uma proposta de um cessar-fogo de 48 horas, devido ao feriado muçulmano do Eid e, segundo um correspondente da BBC, muitos rebeldes têm familiares vivendo em Sirte e afirmaram que vão fazer de tudo para evitar derramamento de sangue.

Os comandantes da Otan afirmaram nesta segunda-feira que a campanha aérea contra as forças leais a Muamar Khadafi deve continuar, pois a guerra na Líbia está longe do fim.

Em uma declaração divulgada depois de uma reunião no Catar, os comandantes da aliança prometeram continuar com os bombardeios contra o que resta das forças de Khadafi.

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