Após jejuar na cadeia, pastor de seita polígama está 'em condição crítica'

Warren Jeffs. Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Jeffs foi condenado à prisão perpétua por estuprar seguidoras menores de idade

O líder religioso polígamo Warren Jeffs, preso por abuso de menores, foi internado após limitar a ingestão de comida como forma de protesto, informou nesta terça-feira um porta-voz da prisão onde ele cumpre pena, no Texas.

Jeffs ficou conhecido por liderar uma comunidade dissidente mórmon que prega a poligamia entre seus membros.

Segundo o porta-voz Jason Clark, Jeffs está em "condição crítica mas estável", após ser hospitalizado na segunda-feira.

Um pouco antes, outro funcionário do presídio, não identificado, disse à imprensa americana que Jeffs estava em coma induzido.

De acordo com o porta-voz, o líder religioso vinha limitando a ingestão de alimentos e líquidos há algum tempo. Ele também sofria de "outras condições médicas sérias".

Prisão perpétua

Jeffs, que tem 55 anos, já havia sido hospitalizado, por três semanas, logo após receber a sentença de prisão perpétua, por abusar sexualmente de seguidoras menores de idade.

O religioso também teve de receber cuidados médicos após jejuar durante outras passagens em presídios americanos, nos estados do Arizona e Utah.

Segundo o porta-voz da prisão texana, Jeffs vem perdendo peso desde o julgamento. Médicos do presídio vem monitorando sua condição.

Poligamia

Jeffs é o líder da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, uma cisão da Igreja dos Mórmons, quando esta abandonou a prática da poligamia.

A seita tem cerca de 10 mil seguidores e tem como premissa a crença de que para ir ao céu, homens precisam se casar com pelo menos três mulheres, enquanto elas precisam ser subservientes ao marido.

Durante o julgamento, a promotoria apresentou amostras de DNA provando que Jeffs era o pai de uma criança cuja mãe tinha apenas 15 anos à época do nascimento. Outra prova, uma gravação em áudio, foi usada na Justiça como mostrar que Jeffs havia estuprado uma menina de 12 anos.

Durante o julgamento, um agente do FBI (polícia federal americana) envolvido na investigação disse que os pais que entregaram suas filhas para Jeffs foram recompensados. Eles teriam recebidos jovens esposas.

A promotoria disse que o líder religioso passou anos viajando pelos Estados Unidos e evitando a prisão, até ser incluído na lista dos dez mais procurados do FBI.

Jeffs foi transferido da penitenciária em Huntsville, no Texas, para a prisão Powledge, no mesmo Estado, na semana passada.

Notícias relacionadas