Conselho de transição recebe dinheiro líbio que estava 'congelado' no exterior

Celebrações na capital Direito de imagem AP
Image caption Líbios correram para sacar dinheiro, após a reabertura dos bancos no país

O Conselho de Transição da Líbia (CNT) terá acesso, no fim desta quarta-feira, ao primeiro lote dos investimentos do governo que foram “descongelados” em bancos da Grã-Bretanha. A transação foi possível após a ONU liberar para saque os ativos do país no exterior.

A verba correspondente a 280 milhões de dinares líbios (equivalente a mais de US$ 200 milhões) e ficará sob responsabilidade do Banco Central da Líbia. O montante apenas uma parte dos US$ 1,5 bilhão que estava congelado em bancos britânicos. O valor está em cédulas de dinares líbios, que foram recém-impressas por uma empresa britânica.

Segundo uma autoridade do governo britânico ouvida pela BBC, o dinheiro estará disponível em breve nos caixas eletrônicos do país. Ainda não há informações sobre se a efígie do líder do antigo regime, Muamar Khadafi, continua estampando as notas.

Na última semana, a ONU liberou o saque dos ativos líbios no exterior por parte do CNT, já reconhecido como governo interino da Líbia por grande parte da comunidade internacional. Os investimentos do antigo regime foram “congelados” em fevereiro, após resolução do Conselho de Segurança da ONU.

O CNT havia feito um apelo pela liberação, argumentando que a suspensão dos pagamentos a servidores públicos líbios e a falta de dinheiro em circulação no país poderiam comprometer a autoridade do conselho.

Passo adiante

O funcionário do governo britânico afirmou que muitos servidores líbios estão sem pagamento há muitas semanas.

O primeiro lote será importante para que os trabalhadores tenham acesso ao dinheiro ainda para as festividades do Eid, que marca o fim do mês sagrado do Ramadã, disse.

A liberação ocorre às vésperas da conferência internacional convocada pela França (que terá participação do Brasil) para discutir a reconstrução da Líbia.

O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague, disse que o dinheiro “vai cobrir necessidades humanitárias urgentes, impulsionar a confiança no setor bancário, pagar o salário de servidores públicos essenciais e aumentar a liquidez da economia”.

Outros países devem anunciar liberação de investimentos nos próximos dias. A Alemanha tem um bilhão de euros (R$ 2,28 bilhões) em fundos líbios congelados. A França já anunciou sua disposição em liberar cinco bilhões de euros (R$ 11,4 bilhões).

Os Estados Unidos tem US$ 1,5 bilhão (R$ 2,3 bilhões) a serem postos à disposição das novas autoridades líbias.

Último reduto

Nesta quarta-feira, forças rebeldes avançaram em direção a Sirte, cidade natal do líder líbio foragido, Muamar Khadafi.

Um repórter da BBC que se encontra nas proximidades diz que os rebeldes abriram uma terceira frente ao sul de Sirte, com a finalidade de cercar a cidade.

Sirte é um dos últimos redutos do país que continua nas mãos do regime de Khadafi.

O CNT deu um ultimato às forças leais ao coronel, ameaçando com uma ofensiva militar se não houver rendição até sábado.

Entretanto, um porta-voz de Khadafi disse que não aceita nenhum ultimato do que descreveu como "cães armados".

O paradeiro de Khadafi permanece desconhecido. Há boatos de que ele estaria em Sirte, em Bani Walid ou em Sabha, ambas a sudoeste de Trípoli.

Segundo o vice-líder do CNT, Ali Tarhouni, os rebeldes desconfiam de onde Khadafi esteja e estão confiantes de que vão capturá-lo.

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