Cúpula discute reconstrução da Líbia

Presidente Nicolas Sarkozy, da Fran;a, ao lado de Mahmoud Jibril, do Conselho Nacional de Transição da Líbia, durante encontro em Paris, em 24 de agosto de 2011 (AP) Direito de imagem AP
Image caption França, de Sarkozy, deu forte apoio aos rebeldes comandados por Jibril.

Líderes de diferentes países se reunirão nesta quinta-feira em Paris para traçar um projeto para o futuro da Líbia.

A discussão acontece num momento em que os combates no país do norte africano ainda não terminaram. O coronel Muamar Khadafi permanece foragido e rebeldes estão promovendo um cerco à sua cidade natal, Sirte.

Os opositores de Khadafi que formam o Conselho Nacional de Transição ainda são vistos com desconfiança por algumas nações, mas já contam com o reconhecimento de cerca de 60 países, incluindo vários da União Europeia e da Liga Árabe.

Na reunião desta quinta, estarão representados até mesmo países que se opuseram à campanha aérea comandada pela Otan contra forças de Khadafi, como Brasil, Alemanha, Rússia e a China. O Brasil enviará ao encontro o embaixador Cesário Melantonio Neto.

O encontro em Paris visa estabelecer as medidas necessárias para promover a reconstrução do país, abalado por seis meses de guerra civil.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o comandante da Otan, Anders Fogh Rasmussen, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, estarão entre os presentes. Líderes árabes, como o emir do Qatar e o rei da Jordânia, também participarão da reunião.

Objetivos

A reunião visa também reforçar a autoridade e o apoio em torno do Conselho Nacional de Transição, em meio à consolidação do controle dos rebeldes em torno da capital, Trípoli, e de outras áreas ainda nas mãos de forças leais a Khadafi.

O ponto de partida da reunião é o de traçar metas de reconstrução nacional, mas é distinto dos princípios que nortearam a reconstrução do Iraque e do Afeganistão, já que foi o próprio povo da Líbia que se insurgiu contra o regime de Khadafi, ainda que os rebeldes talvez não tivessem prevalecido se não fosse pelos ataques aéreos da Otan.

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Image caption Cédulas de dinheiro líbio foram impressas na Grã-Bretanha

Mas a mudança de regime na Líbia tem sido essencialmente um projeto da Líbia e são os líbios que comandarão o processo de reconstrução de seu país no pós-guerra.

O trabalho é extenso e os problemas são inúmeros e urgentes. É preciso distribuir água, medicamentos e comida. A segurança precisa ser restabelecida, a economia e, em especial, a indústria petrolífera, precisam ser retomadas.

Existe também uma ambiciosa agenda para reconstrução política e constitucional. Instituições democráticas precisam ser construídas praticamente do nada.

O ânimo entre os governantes dos países ocidentais parece ser positivo. Segundo uma fonte do governo britânico, ''dados os problemas que eles herdaram, o progresso do Conselho Nacional de Transição é bastante promissor''.

Reconstrução e reconciliação

Mas em um país de agudas diferenças regionais, tribais e de outras naturezas, muita coisa ainda pode dar errado. O importante é mostrar que a reconstrução e a reconciliação estão a caminho.

O Conselho de Segurança da ONU está discutindo uma resolução que liberaria os fundos da Líbia que estão bloqueados, o que permitiria que outros paises seguissem os exemplos da Grã-Bretanha e da França, que liberaram a verba líbia que haviam retido.

Mas a resolução ainda enfrenta polêmicas e sua aprovação poderá demorar alguns dias. A África do Sul é um dos países que permanecem incertos quanto a considerar o regime de Khadafi parte do passado.

A Líbia precisa de dinheiro rapidamente, para poder pagar funcionários públicos e para retomar a atividade econômica no país. É por isso que são tão importantes as cédulas de dinheiro impressas na Grã-Bretanha e enviadas ao país por meio de aviões da Força Aérea Real britânica, com uma soma total de cerca de 280 milhões de dinares (cerca R$ 367 milhões).

Mas a Líbia, com seu potencial de lucros do petróleo e com uma população relativamente pequena, está longe de ser um caso perdido. Ela precisará de assistência para ser reconstruída.

A Grã-Bretanha e a França, que pressionaram pela campanha aérea contra as forças de Khadafi e que comandaram a coalizão da Otan, querem despempenhar um papel de destaque na reconstrução da Líbia, assim como o tradicional parceiro econômico do país norte-africano na Europa, a Itália.

Dentro em breve deverá haver uma pressão em estabelecer transações comerciais. Nos bastidores, essa pressão pode até já ter começado.

Por enquanto, porém, a ênfase é na diplomacia. A esperança é de que um encontro mais formal dos ''amigos da Líbia'' seja realizado paralelamente à Assembleia Geral da ONU, que acontece em Nova York, em setembro.

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