Forças anti-Khadafi dizem que negociações em Bani Walid 'fracassaram'

Combatentes anti-Khadafi nas proximidades de Bani Walid. Direito de imagem Reuters
Image caption Forças leais ao governo interino se preparam para invadir a cidade de Bani Walid

Combatentes alinhados com o novo governo interino da Líbia, que cercaram a cidade de Bani Walid neste domingo, dizem que as negociações de paz com as forças leais ao coronel Muamar Khadafi falharam.

Bani Walid, que fica 150 quilômetros a sudeste de Trípoli, é uma das quatro cidades do país que ainda está sob controle de forças pró-Khadafi. As outras são Jufra, Sabha e a cidade natal de Khadafi, Sirte.

Os combatentes chegaram à cidade por três diferentes pontos e deram um ultimato aos inimigos para se renderem ou enfrentarem um ataque.

Mas um dos principais negociadores das forças do Conselho Nacional de Transição (CNT), Abdullah Kenchil, disse à BBC que as negociações falharam e que não voltariam a acontecer.

"Estou deixando que o comando militar resolva o problema", afirmou.

Relatos dizem que as negociações entre líderes tribais continuam dentro da cidade, e que um ataque militar não é necessariamente iminente.

O presidente do CNT, Mustafa Abdel Jalil, afirmou que as cidades que permanecem sob as forças leais a Khadafi estão recebendo ajuda humanitária e têm uma semana para se render "para evitar mais derramamento de sangue".

Negociações

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Image caption Membros da tribo Warfallah, de Bani Walid, se juntaram às forças anti-Khadafi

Horas antes, Kenchil disse ao correspondente da BBC Ian Pannel que dois coronéis e outros combatentes em Bani Walid permanecem sendo uma ameaça.

Ele disse que os negociadores tentaram persuadi-los a entregarem as armas por causa do perigo para os civis locais.

"Não queremos que nada aconteça com ninguém em Bani Walid. Queremos entrar pacificamente e garantir a segurança da população, que de outra maneira pode ser usada como escudo humano ou ser alvo de vingança, caso não apoiem (as forças leais a Khadafi)."

Kenchil disse ainda que os oficiais militares pró-Khadafi receberam garantias de que teriam um tratamento justo e seriam julgados por supostos abusos durante o levante se entregassem as armas.

Para alguns analistas, a tomada dos últimos bastiões de resistência pró-Khadafi é necessária para que o CNT consolide o controle sobre todo o país para poder formar um governo significativo e eliminar a ameaça do antigo regime.

Membros da família

No domingo, o governo interino confirmou que o filho de Khadafi, Khamis, foi morto em uma batalha perto de Trípoli e enterrado perto de Bani Walid. A informação foi mais tarde desmentida e o goveno interino afirmou que não sabe ao certo se Khamis morreu ou não.

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Image caption CNT confirmou e desmentiu a morte de um dos filhos de Khadafi, Khamis

A morte de Khamis Khadafi já havia sido anunciada em outras dois ocasiões durante os conflitos com o governo.

Muhammad, o filho do ex-chefe da inteligência Abdullah Senussi, também teria sido morto.

O correspondente da BBC em Trípoli Kevin Connolly disse que, segundo alguns relatos não confirmados, Saif al-Islam e Mutassim Khadafi, dois dos filhos do ex-líder líbio mais ativos politicamente, teriam se entrincheirado em Bani Walid sob a proteção de simpatizantes armados. Eles estariam prontos a resistir até o final.

O paradeiro de Khadafi permanece desconhecido. Seu porta-voz, Moussa Ibrahim, afirmou à agência de notícias Reuters em uma entrevista telefônica que o coronel estaria em algum lugar na Líbia, cercado em segurança por apoiadores leais.

Neste domingo, o CNT afirmou que sabia do paradeiro de Khadafi, mas não confirmou nenhuma localização específica.

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