Emergentes estão de olho em 'aposta' brasileira com juros, diz 'FT'

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Image caption O presidente do BC, Alexandre Tombini, que teve de responder a críticas por decisão

Países emergentes estão acompanhando atentamente a "aposta" brasileira em relação aos juros, afirma nesta terça-feira uma reportagem do jornal britânico <i>Financial Times</i>.

O diário financeiro diz que polêmica decisão de reduzir a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, no momento em que a inflação atinge o maior nível desde 2005, se bem sucedida, pode levar outros países emergentes a fazer o mesmo.

"A maior economia da América Latina não é a primeira a reduzir a taxa de juros citando o enfraquecimento do cenário global – a Turquia começou a afrouxar os cintos no início de agosto", escreve o <i>FT</i>.

"Mas o Brasil é o maior mercado emergente a fazê-lo. E, dado o histórico do país com a inflação, que nas últimas décadas foi uma força desestabilizadora, o tema é altamente sensível."

A inflação bateu 7,23% em agosto, acima da meta do governo, 4,5% ao ano com tolerância de mais ou menos 2 pontos percentuais.

A reportagem do diário britânico menciona as críticas à decisão, assim como as acusações de que o Banco Central agiu com viés político, já que é de interesse do governo da presidente Dilma Rousseff que os juros caiam.

Um analista entrevistado pelo jornal afirma que, mesmo que a decisão do BC seja correta, e a deterioração da economia mundial recoloque a inflação brasileira dentro da meta, a metodologia é questionável.

"No fim pode ser que tudo saia bem para o Brasil, pode ser que seja a decisão certa", disse o economista do banco Goldman Sachs Alberto Ramos. "Mas há um elemento de aposta e de otimismo nesta decisão."

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