Brics citam preocupação com crise europeia, mas evitam detalhes sobre ajuda

Ministros das Finanças dos Brics. Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Mantega disse em encontro com os Brics que é preciso conter o contágio da crise europeia

Depois de muita expectativa sobre um suposto plano dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) para ajudar os países europeus em crise, os ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do grupo deixaram uma reunião em Washington nesta quinta-feira sem fornecer detalhes sobre o assunto.

Em um comunicado, os representantes dos cinco países disseram apenas que os Brics "estão abertos a considerar, se necessário, fornecer apoio por meio do FMI (Fundo Monetário Internacional) ou outras instituições financeiras internacionais para fazer frente aos atuais desafios à estabilidade financeira global, dependendo das circunstâncias em cada país".

Na semana passada, acreditava-se que uma das ideias a ser discutidas pelos Brics seria a compra de títulos da dívida de países europeus, para ajudar a fortalecer esses papeis, em um momento em que a crise de dívida e deficit em diversas economias da zona do euro vem se agravando.

Após a reunião em Washington, porém, os ministros não forneceram indícios de uma eventual ajuda financeira, mas manifestaram preocupação com os problemas na Europa e o agravamento da crise nos últimos meses.

"Temos que impedir que a crise atinja um nível mais grave", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que representou o Brasil no encontro, ao lembrar que agora o "epicentro" dos problemas é a União Europeia.

"Os Brics e outros emergentes não foram afetados ainda nas suas funções vitais. Mas há o risco de a crise da dívida soberana de alguns países, que não está sendo solucionada, se transformar em uma nova crise financeira", afirmou.

Ação rápida

A crise de dívida e deficit em países como a Grécia já contagiou outras economias e vem provocando crescente desconfianças dos mercados sobre toda a zona do euro.

Segundo Mantega, ao contrário de 2008, quando os países do G20 (grupo que reúne as principais economias avançadas e emergentes, entre elas o Brasil) se uniram para combater a crise mundial rapidamente, agora a reação europeia está demorando demais.

O ministro alertou para o risco de que um agravamento da situação contagie os Brics e outras economias emergentes e afete o comércio mundial.

"Acreditamos que isso possa ser evitado, desde que haja uma ação rápida dos países para solucionar a questão, por exemplo, da dívida soberana dos países que estão em negociação, particularmente a Grécia", afirmou.

Os Brics recomendam o fortalecimento do G20 e do papel do FMI, inclusive dando "mais condições financeiras" para que o fundo possa enfrentar um aprofundamento da crise, e voltaram a criticar a demora na redistriubuição de cotas na insttuição, que daria mais voz ao emergentes.

Os ministros também disseram que pretendem ampliar a integração entre os Brics, aumentando a atividade comercial e financeira entre os países.

"Nós estamos combinando que devemos intensificar o comércio entre nós", disse Mantega.

"Eliminar eventuais barreiras comerciais que possam existir, facilitar o comércio, o financiamento do comércio, e trocas em moedas locais, que já começaram a acontecer."

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