Mantega diz que aumento de IPI não é protecionismo

Guido Mantega, ministro da Fazenda. Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Mantega disse que a desvalorização do real é movimento normal de aversão a risco

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quinta-feira, em Washington, que o recente aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) anunciado pelo governo brasileiro não representa uma medida protecionista.

"Não é uma medida protecionista", disse Mantega, que participa em Washington do encontro de ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do G20 (grupo das principais economias avançadas e emergentes, do qual o Brasil faz parte) e da reunião anual do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial, até sábado.

"É uma medida que estimula investimentos locais em tecnologia e que estão abertos a todos os países, a todas as empresas. Não há nenhuma restrição a que nenhuma empresa faça isso no Brasil", afirmou o ministro.

Na semana passada o governo brasileiro anunciou um aumento na alíquota do IPI para automóveis importados e também para aqueles fabricados no Brasil cujas montadoras não usarem um mínimo de 65% de componentes nacionais e não investirem em inovação.

A medida, que deve ficar em vigor até o fim do ano que vem, provocou protestos por parte de setores como revendedoras e montadoras. Segundo o governo, porém, o objetivo é aumentar a competitividade dos automóveis brasileiros e estimular a produção interna.

Tentação

Mantega não apenas rejeitou a alegação de que a medida brasileira seja protecionista, mas disse ainda que é preciso combater a tentação do protecionismo, que tende a aumentar diante da retração dos mercados consumidores verificada sempre que a economia mundial entra em crise.

"Nós devemos combater e temos combatido isso. Na crise de 2008, nós tivemos sucesso, porque não houve medidas protecionistas. E nós deveremos continuar defendendo a liberdade de comércio para evitar o protecionismo."

Os riscos de um aumento de medidas protecionistas, em um momento em que a situação da economia mundial se agrava, foram abordados nesta quinta-feira pelo presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.

De acordo com Zoellick, depois de um aumento durante o auge da crise econômica mundial, houve queda no protecionismo no último ano, mas agora há o risco de que volte a crescer.

"Haverá a tentação de alguns países de começar a proteger suas indústrias manufatureiras", disse o presidente do Banco Mundial. "Não deixem os países navegarem para o protecionismo."

Dólar

Zoellick lembrou ainda as dificuldades enfrentadas pela indústria brasileira, afetada pela alta valorização do real frente ao dólar, que prejudica a competitividade das exportações.

Nesta semana, porém, o dólar iniciou uma trajetória de alta em relação a moedas de todo o mundo. Nesta quinta-feira, ultrapassou o patamar de R$ 1,90, a maior cotação em mais de um ano.

O ministro da Fazenda disse que esse é um movimento normal de aversão ao risco.

"Está ocorrendo uma desvalorização de praticamente todas as moedas em relação ao dólar", disse Mantega.

"Nós estamos tendo um movimento paradoxal. Até recentemente era o dólar que estava se desvalorizando. Mas quando o risco aumenta, temos um movimento contrário. Então eu vejo um movimento normal."

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