Netanyahu diz querer negociações sem precondições com palestinos

Netanyahu durante entrevista à BBC Direito de imagem BBC World Service
Image caption Netanyahu insistiu que o importante é iniciar a negociação com palestinos

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, pediu que os palestinos concordem em negociar a paz na região sem impor condições prévias.

"A ideia básica é começar as negociações sem (impor) condições prévias", disse Netanyahu em entrevista à BBC.

"Acho que há muitas pessoas por aí - palestinos, israelenses, pessoas no mundo árabe, pessoas além do mundo árabe - que estão nos pedindo para colocar mãos à obra. Desde o primeiro dia tenho pedido para negociar e espero que possamos chegar a este ponto", afirmou.

Entre as condições postas pelos palestinos para a retomada das negociações está o congelamento nas construções de assentamentos israelenses na Cisjordânia e a aceitação das fronteiras de 1967 como base para um eventual acordo.

A entrevista de Netanyahu foi concedida três dias depois de o presidente palestino, Mahmoud Abbas, ter feito o pedido formal pela criação do Estado Palestino na ONU.

No domingo, Abbas foi recebido como herói em Ramallah, nas Cisjordânia, ao voltar de Nova York.

Convite

Netanyahu também foi a Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU e, durante seu discurso, fez um convite para uma reunião com Abbas. Durante a entrevista, ele formalizou o convite.

"Aqui está meu convite formal para a reunião: vamos nos sentar e falar de paz", disse.

"Nos sentaremos, falaremos francamente, colocaremos todos os assuntos na mesa. Acho que é assim que isto vai se resolver: equilibrando as necessidades legítimas de segurança de Israel com as aspirações legítimas dos palestinos pela liberdade nacional."

"Acho que é possível. Não é fácil, mas não é impossível. Mas a única forma de isto acontecer é nos sentarmos para negociar. E eu sou o homem que pode fazer isto", acrescentou.

Na sexta-feira, o Quarteto para o Oriente Médio, grupo formado por Estados Unidos, União Europeia, Rússia e ONU, pediu a retomada imediata das negociações de paz entre Israel e a Autoridade Palestina. Em um comunicado, o Quarteto convida as duas partes a programar uma agenda que os ajude a alcançar uma solução integral ao final de 2012.

Mas, ao ser questionado quanto a este cronograma, Netanyahu afirmou que não sabe se palestinos e israelenses poderão chegar a um acordo dentro de um ano.

"Acho que as datas são o que menos importam", afirmou Netanyahu, insistindo que a ideia mais importante é começar as negociações.

'Percepção errônea'

Netanyahu também falou em uma "percepção errônea" do mundo árabe em relação a Israel.

"Não creio que as pessoas entendam o quanto os israelenses estão sedentos pela paz", disse o premiê.

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Image caption Abbas foi recebido com comemoração em Ramallah

Durante a entrevista, o premiê israelense lembrou dos amigos que perdeu durante batalhas entre Israel e Egito, Israel e a Jordânia, do irmão morto em confrontos com os palestinos e afirmou não querer a repetição de nada disso no futuro.

"Devemos construir um futuro para nossos filhos e netos e para nós mesmos. Estou disposto a buscar a paz. É a única coisa que posso fazer."

"Mas, não posso fazê-lo através do que dita a ONU. Apenas posso conseguir isto me reunindo com Abu Mazen (Mahmou Abbas)", acrescentou.

Netanyahu disse que os dois lados vão conseguir "um Estado para os palestinos e segurança e reconhecimento para os israelenses".

"Quando isto acontecer, Israel não será o último país a reconhecer o Estado palestino na ONU, será o primeiro", afirmou.

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