Dilma prega investimentos e incentivos ao consumo contra crise

Roberto Stuckert Filho - Presidência da República Direito de imagem Roberto Stuckert Filho PR

A presidente Dilma Rousseff defendeu nesta segunda-feira que os países da União Europeia aumentem os investimentos e incentivem o consumo diante da crise da dívida na zona do euro e afirmou que ajustes fiscais muito severos “só aprofundam o processo de estagnação”.

Ao reunir-se em Bruxelas com o primeiro-ministro belga interino, Yves Leterme, Dilma recordou a crise da dívida que afetou os países latino-americanos nos anos 1980.

“Nossa experiência mostra que, no caso do Brasil, ajustes fiscais extremamente recessivos só aprofundaram o processo de estagnação, de perda de oportunidades e de desemprego. Dificilmente se sai de uma crise sem aumentar o consumo, os investimentos e o nível de crescimento” disse.

Dilma também defendeu que os países afetados pela crise atuem para “evitar que seus povos vivam o desemprego e perdas dos direitos sociais”.

Tema dominante

A crise da zona do euro é o principal tema que a presidente abordará com os presidentes do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, durante a quinta cúpula UE-Brasil, que se celebra nesta segunda e terça-feira em Bruxelas.

A União Europeia é o primeiro parceiro comercial do Brasil, com importações por 18,5 bilhões de euros (cerca de R$ 53,2 bilhões) no primeiro semestre do ano e um total de 16,9 bilhões (R$ 48,6 bilhões) em exportações.

Segundo Dilma, o Brasil “está tomando todas as providências para reduzir o impacto da crise em sua economia interna”.

Em sua reunião com o primeiro-ministro belga, a presidente assinou um acordo para facilitar a concessão de bolsas para estudantes brasileiros em universidades belgas, principalmente nas áreas de engenharia, matemática, física e química, como parte do programa Ciência sem Fronteiras.

Dilma e Leterme também se comprometeram a reforçar a cooperação bilateral em ciência e inovação e no tratamento de resíduos tóxicos.

Na terça-feira, depois de encerrar a cúpula UE-Brasil, a presidente vai almoçar com o rei belga, Alberto II, realizará um discurso em uma cúpula bilateral empresarial e participará da inauguração da bienal Europalia Brasil.

Na quarta, Dilma segue viagem para a Bulgária, antes de chegar à Turquia, na sexta-feira.

Notícias relacionadas