Ivan Lessa: Os Prêmios Ig Nóbeis

Ignóbil é pesado. Pelo menos para uma brincadeira que virou instituição e passou a correr mundo. Os chamados Ig Nobel Prizes.

Coisa de garotão bem e aluno da Universidade de Harvard, que, além de tradição de ensino, sempre se fez notar pelo senso de humor de suas publicações e promoções. Aí estão, e continuam, o Harvard Crimson e o Harvard Lampoon erguendo alto a bandeira do bom humor.

Em quase conjunção com a entrega dos prêmios Nobel, uma seleção de notáveis da universidade decide, há 21 anos, quem merece os seus chamados Prêmios Ig-Nóbeis.

Como disse, ignóbil é pesado. Universitários do mais alto gabarito se deixaram levar pelo jogo fácil de palavras: Nobel, ignobel.

Mesma coisa que em nossa língua. Ignóbil é sinônimo de canalha, vil, baixo, hediondo, repugnante, deplorável e por aí afora. Precisavam, acredito, do jogo de palavras imediato e facilmente reconhecível.

No sentido de ignoble mesmo, sem pensar muito, só me lembro de darem, em 1979, a Menachem Begin e Anuar Sadat, o que era, aí sim, absolutamente inaceitável.

O presidente Barack Obama, com 9 meses de poder, nada tendo feito a não ser dizer que “sim, que podia” (“não, não pode”), e que continua a não fazer nada digno do prestigioso prêmio de medalha de ouro mais US$ 1,4 milhão (devidamente doados à caridades várias, sejamos justos), que é o quanto vale um Nobel, poderia figurar da lista, ao menos com uma medalhinha feita de chapinha de cerveja australiana (já chego lá) mas, repetindo, ignóbil é forte.

Enfim, coisas. O que interessa são os Ig Nóbeis deste ano, sempre bons para uma risada. E limito-me, numa semana em que começa mais uma insuportável convenção de partido político, desta vez o Conservador, graças a Deus a última do ano, a enumerar alguns Ig Nóbeis de 2011.

Como dizem os ex-assinantes de Seleções do Reader's Digest, “rir é o melhor remédio”, embora nunca se fez uma pesquisa rigorosa a respeito da afirmação.

Atenção, Ignóbeis, todos à passarela. E sabem que muitos comparecem mesmo à cerimônia e pegam US$ 400 para gastarem com a tolice que lhes der na veneta?

Aí vai, liderando os trabalhos, pouco controvertido, ao contrário da atual Giselle Bundchen, Makoto Imai, que, com sua brilhante equipe, conseguiu determinar a densidade ideal da pimenta japonesa wasabi (feita de raiz forte) em caso da necessidade de acordar quem está dormindo em caso de incêndio ou outra emergência. Uma boa para mim, que vivo capotando em restaurante de sushi. Pegaram o Ig Nobel de química.

Logo depois, Alma Wilkinson, mais sua turma, que estudaram e não encontraram prova de que a tartaruga vermelha Geochelone Carbonaria boceje.

Mirjam Tuk (nome adequado, como verão) que demonstrou que certas pessoas tomam melhores decisões quando sentem uma vontade louca de urinar.

Agitando a bandeira da Noruega, Karl Harvor Tergen, da Universidade de Oslo que aprofundou sua pesquisa na motivação que leva gente a suspirar (ai, ai!). Biologia? Foi fácil este ano: Daryll Gwynne e David Rentz por descobrir que certos tipos de besouros-macho tentam se acoplar sexualmente com certos tipos de chapinha de cerveja australiana.

Para encerrar o que poderia ser alongado, os dois pesquisadores franceses e holandeses que estudaram um fenômeno que preocupa a humanidade há séculos, principalmente em ano que precede Olimpíada: por que os atletas que arremessam o disco ficam meio zonzos quando da hora de sua prova e os que lançam os dardos não?

Na minha modesta opinião de leigo, nem ignoble ou ignóbil, embora tendendo mais para este último, a sensação daquele longo dardo na mão da gente, a corridinha dada antes de lançá-lo aos céus, o vazio que vem depois, tudo isso somado dá uma coisa na cabeça das pessoas que – não sei não, não sei não...

Mas isso é puro instinto de minha parte e nada científico.