Dilma defende regulação em mercado financeiro, mas refuta imposto global

Dilma visita Europalia, festival cultural sobre o Brasil, na Bélgica (AP) Direito de imagem AP
Image caption Presidente disse que resgate a instituições financeiras elevou dívida pública na Europa

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira em Bruxelas que Brasil defenderá na próxima cúpula do G20 a necessidade de regular os mercados financeiros, mas não deverá apoiar a proposta europeia de criar um imposto global sobre as transações bancárias.

"Estabelecer um marco regulador efetivo que impeça os mercados financeiros a continuar sendo uma fonte inesgotável de instabilidade é um requerimento que nossos governos não podem deixar de enfrentar", afirmou a presidente durante um fórum entre empresários brasileiros e europeus, celebrado às margens da cúpula UE-Brasil, em Bruxelas.

No entanto, ao ser perguntada sobre a proposta europeia, a presidente declarou: "Não acredito que seja isso que resolva (os problemas que resultaram na crise financeira internacional)".

Ainda assim, disse que o governo está disposto a estudar a ideia proposta pela União Europeia, que prometeu adotar a medida em seus países mesmo se os sócios do G20 não seguirem o exemplo.

Lições

A presidente também ressaltou que a política de resgate das instituições financeiras adotada por muitos países europeus contribuiu para aumentar a dívida pública, enquanto o Brasil foi capaz de manter o equilíbrio em suas contas públicas com políticas de incentivo ao consumo.

Apesar das mensagens, Dilma assegurou que não tentou convencer os europeus de que estão no caminho errado.

"Não se trata de convencer ninguém. Não se pode ter soberba", disse.

Em resposta às declarações da brasileira, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, afirmou que a UE “está fazendo muito mais que impor medidas de austeridade” a seus membros.

"Queremos ter certeza de que o máximo possível de nossas políticas sirva para criar empregos e gerar crescimento econômico. Necessitamos mais disciplina fiscal e mais integração, mas pode estar certa de que fazemos o que é preciso. É em nosso interesse e em seu interesse", declarou.

Dilma também disse que crise internacional mostra a necessidade de uma coordenação global e da continuidade das reformas nos organismos multilaterais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), para dar mais voz aos países emergentes.

Europalia

Antes de deixar Bruxelas, a presidente também discursou na inauguração da bienal Europalia Brasil, ao lado do rei da Bélgica e do primeiro-ministro interino belga, Yves Leterme.

O festival pretende atrair 2 milhões de visitantes às cerca de 500 atividades dedicadas à cultura brasileira até janeiro de 2012.

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