Depoimentos de policial e ministro do Esporte polarizam Congresso

Orlando Silva. Agência Brasil. Direito de imagem ABr
Image caption Durante audiência, Orlando Silva recebeu apoio de congressistas da base aliada ao governo

Acusado de participar de um esquema de corrupção, o ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB), e seu denunciante, o policial militar João Dias Ferreira, polarizaram nesta terça-feira as atenções de parlamentares governistas e oposicionistas.

Enquanto congressistas da base aliada ao governo expressavam apoio ao ministro em audiência na Câmara nesta tarde, membros da oposição se encontravam com o policial no gabinete da liderança do PDSB no Senado.

Em seu depoimento, interrompido algumas vezes por aplausos, Orlando Silva voltou a desqualificar as denúncias e afirmou que pôs seus sigilos fiscal, bancário e telefônico à disposição dos investigadores. Já João Dias Ferreira disse, ao fim de seu encontro com os congressistas, que em breve revelará provas contra o ministro.

Em entrevista à revista Veja no fim de semana, o policial acusou Orlando Silva de receber dinheiro vivo na garagem do Ministério do Esporte, no fim de 2008. O dinheiro faria parte do programa Segundo Tempo, que destina verbas a ONGs com o intuito de incentivar a prática esportiva entre jovens.

Ferreira diz que o ministro cobrava 20% das entidades contempladas no programa. O esquema, segundo ele, teria desviado R$ 40 milhões ao longo de oito anos.

Orlando Silva nega as acusações e diz que elas podem ser uma reação ao pedido que fez para que o os convênios do ministério com organizações presididas por João Dias Ferreira fossem examinados pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Ex-militante do PCdoB, João Dias Ferreira presidiu duas entidades suspeitas de desviar cerca de R$ 2 milhões do programa Segundo Tempo. Ele é acusado de usar o dinheiro para a compra de uma casa avaliada em R$ 850 mil e financiar sua campanha para deputado no Distrito Federal, em 2006.

Acusações

Em seu depoimento nesta terça, Orlando Silva voltou a desqualificar o policial. “Quem faz a agressão trata-se de um desqualificado, de um criminoso, de pessoa que foi presa, é uma fonte bandida”.

Ele afirmou que foi o ministério quem detectou irregularidades nos dois convênios firmados com as entidades de João Dias Ferreira e que o policial responde a uma ação penal que pode estar perto do fim.

Orlando Silva também defendeu sua gestão à frente da pasta e citou a decisão do ministério de não firmar mais contratos com ONGs no programa Segundo Tempo.

Já o policial afirmou, após reunião com a oposição, que entregou à Veja nesta terça-feira uma gravação que provaria suas acusações.

"Vão surgir diversos documentos em breve que vão provar essa situação."

Ferreira disse ainda ter contatado o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias, por estar sofrendo ameaças de morte. Em resposta, o tucano afirmou ter pedido ao Ministério da Justiça "garantia de vida" para o policial.

Também ao fim do encontro, o líder do DEM na Câmara, ACM Neto, pediu à comissão da Câmara que ouviu Orlando Silva que aprove convite para receber o policial.

“Eu diria que o depoimento do João Dias é estarrecedor, traz detalhes e informações que não constam da imprensa e demonstra existência de provas materiais inegáveis sobre as denúncias que foram feitas”, disse.

Mais cedo, Ferreira pediu adiamento do depoimento que daria à Polícia Federal nesta terça-feira. Segundo a PF, o policial alegou problemas de saúde. O depoimento será remarcado em data ainda não definida.

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