Shalit volta para casa após cinco anos de cativeiro

Shalit e seu pai/Getty Images Direito de imagem Getty
Image caption Shalit encontrou seu pai pela primeira vez desde 2006

O soldado Gilad Shalit - que passou 5 anos em cativeiro na Faixa de Gaza – desembarcou no início da tarde desta terça-feira (horário de Brasília) em sua cidade-natal, Mitzpe Hila, norte de Israel, depois de ser libertado no Egito devido a um acordo entre Israel e o grupo palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza.

O israelense de 25 anos encontrou familiares, que não o viam desde 2006, na base aérea de Tel Nof, próxima a Tel Aviv, após encontro com o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, e outros membros do governo do país.

"Olá Gilad, bem-vindo a Israel. É bom ter você de volta em casa", disse o premiê.

Netanyahu disse que o acordo para a libertação de Shalit foi uma decisão difícil, tomada após longa negociação.

"Estou ciente do significado pleno desta decisão", disse ele.

Netanyahu disse que a volta Shalit é um momento feliz, mas reconheceu a dor de familiares de mortos em ataques cometidos por prisioneiros palestinos libertados no acordo.

"Quero deixar claro que seguiremos combatendo o terrorismo", disse ele.

Cerca de 300 dos mais de mil palestinos incluídos no acordo serviam penas de prisão perpétua em Israel.

Após ser transferido de Gaza para o Egito, Shalit concedeu uma entrevista para a TV egípcia. Parecendo pálido, magro e por vezes desorientado, ele disse esperar que sua libertação auxilie na conclusão de uma acordo de paz na região.

"Espero que este acordo ajude para a conclusão de um acordo de paz entre israelenses e palestinos. Tenho esperança que a cooperação entre os dois lados seja consolidada", disse ele na entrevista.

Ele afirmou sentir "falta de encontrar pessoas normais, conversar com eles e contar sobre minha experiência... tenho muito o que fazer quando estiver livre".

Palestinos

Estimativas afirmam que cerca de 200 mil pessoas se concentraram na Cidade de Gaza para celebrar a chegada de 180 dos 295 prisioneiros palestinos que devem ser enviados para o território nesta primeira parte do acordo.

Além das bandeiras verdes do Hamas, muitos na multidão portavam bandeiras amarelas, do grupo Fatah.

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Image caption Calcula-se que 200 mil pessoas se reuniram em Gaza para receber os prisioneiros

Cenas de júbilo foram também vistas na Cisjordânia.

"Seus sacrifícios, esforços e trabalho não foram em vão. Vocês se sacrificaram, lutaram, pagaram o preço e vão ver os resultados de sua luta na concretização de um Estado palestino independente com a capital em Jerusalém", disse o presidente palestino, Mahmoud Abbas, em Ramallah, onde recepcionou os palestinos.

Alguns dos 477 libertados nesta terça-feira vão ser levados para países como Turquia, Síria e Catar. O acordo prevê que outros 550 devem ser libertados em dois meses.

O editor do escritório da BBC no Oriente Médio, Paul Danahar, disse ser raro "Israel e os territórios palestinos ocupados celebrarem alguma coisa no mesmo dia". "Mas ambos os lados sentem que ganharam algo com esta troca", disse.

Danahar diz que o acordo não torna mais próximo um eventual acordo de paz. "Ele fortalece o Hamas e enfraquece o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que é o único que pode negociar com Israel".

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