Angola cresce enquanto países ricos trilham caminho da insensatez, diz Dilma

Dilma Roussef visita monumento em Luanda, em 20 de outubro de 2011. Direito de imagem AFP
Image caption Para Dilma, crescimento deve-se à adoção de políticas de inclusão social e geração de emprego

A presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta-feira que países como o Brasil e Angola estão crescendo por terem adotado políticas de inclusão social e geração de emprego, e criticou os países desenvolvidos por trilharem "o caminho da insensatez".

"Neste momento em que o mundo se debate numa das maiores crises econômicas da história, vosso país segue crescendo", disse Dilma em discurso na Assembleia Nacional, em Luanda. A presidente encerrou nesta quinta-feira em Angola um giro de quatro dias pela África, depois de ter passado também por Moçambique e África do Sul.

Ela discursou diante de parlamentares angolanos e do presidente José Eduardo dos Santos, com quem teve uma reunião de trabalho e um almoço em seguida.

"Crescimento que é fruto da tenacidade de seu povo e da responsabilidade de seu governo, que vem adotando políticas equilibradas, enquanto partes do mundo desenvolvido continuam a trilhar o caminho da insensatez."

"Angola, como o Brasil, apostou no crescimento, em políticas contra-cíclicas, em privilegiar ações sociais de combate à pobreza, no desenvolvimento e na criação de empregos."

"Nossos países fugiram do receituário conservador que também conhecemos na América Latina por mais de 20 anos. Este momento exige políticas macroeconômicas sadias e socialmente inclusivas para proteger nossas nações do contágio, da recessão e do desemprego."

Mão de obra

Dilma repetiu a defesa da indústria do Brasil que havia feito em Moçambique, afirmando que a maioria das empresas brasileiras em Angola contrata mão de obra local.

"Nós consideramos que as empresas brasileiras que trabalham em Angola tenham de contratar empregar e incentivar trabalhadores angolanos, dirigentes angolanos, engenheiros angolanos", afirmou a presidente.

Em Angola, muitos empresários locais criticaram o fato de empresas chineses preferirem trazer empregados da China para o país, em vez de usar a mão de obra local.

O presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, que acompanhou o discurso de Dilma na Assembleia Nacional, disse que apesar das críticas de alguns angolanos ao modelo chinês, ele não considera que exista concorrência direta em Angola entre chineses e brasileiros. No entanto, ele ressalta que o modelo brasileiro é mais beneficiente para o país.

"A China tem o espaço dela, o Brasil tem o seu espaço, até porque o Brasil atua de uma forma diferenciada. A empresa brasileira quando vem para cá, ela contrata a mão de obra [local] e desenvolve a cadeia. Os chineses não fazem isso", disse o executivo da Odebrecht, empresa que é a maior empregadora privada de Angola, com 17 mil funcionários. Segundo ele, 93% dos empregados da Odebrecht no país são angolanos.

"Se você vai em um projeto desenvolvido pela China, quase do porteiro ao engenheiro [é chinês]. No nosso, só tem angolano. Tem, talvez, dois brasileiros por projeto. Nós trazemos para implementar a nossa cultura empresarial, mas na medida em que vai evoluindo, só tem angolano."

Marcelo Odebrecht também destaca outro fator que beneficia as relações entre Brasil e Angola. Muitas empresas, como a Odebrecht, se instalaram em Angola há décadas, ainda durante a guerra civil, quando muitos grupos estrangeiros temiam investir no país. Isso deu aos brasileiros uma vantagem competitiva depois da pacificação, em 2002.

"Nós estamos aqui desde o período da guerra, há 27 anos. É visível o crescimento do país depois da guerra. Nós estavamos estabelecidos, tinhamos confiado no país mesmo durante a guerra, e várias empresas vieram se instalar aqui conosco. Quando acabou a guerra, nós já estávamos instalados aqui. Então facilitou muito. O governo brasileiro sempre manteve uma relação muito importante e boa com Angola."

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