Fifa decide submeter caso de propina a inquérito externo

Sepp Blatter (imagem de arquivo)/Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Blatter disse que órgão independente deve analisar documentos sobre escândalo em dezembro

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, anunciou nesta sexta-feira que um comitê externo vai conduzir uma nova investigação sobre a falência da empresa de marketing que atuava como parceira da entidade que comanda o futebol mundial nos anos 1990.

A expectativa é de que os documentos relacionados ao caso revelem a identidade de dirigentes da Fifa que receberam dinheiro para garantir à empresa ISL (International Sport and Leisure) a lucrativa comercialização de direitos de transmissão e anúncios publicitários da Copa do Mundo durante os anos 1990.

"Este é um assunto que vem sendo levantado pelos membros e associações nacionais", disse Blatter. "O comitê executivo decidiu que este caso deve ser reaberto."

De acordo com o presidente da Fifa, o comitê executivo da entidade concordou em reexaminar os documentos ligados à falência da ISL em um encontro nos dias 16 e 17 de dezembro.

"Se alguma medida tiver que ser tomada, ela não será tomada pelo comitê executivo", acrescentou. "Este não é o órgão que pode adotar sanções ou isentar alguém."

"Vamos entregar esses arquivos para uma organização independente, fora da Fifa, para que eles possam examiná-los, tirar conclusões e apresentá-las a nós", completou Blatter.

Até o anúncio desta sexta, a Fifa bloqueou por repetidas vezes as tentativas de jornalistas que buscavam a divulgação dos documentos sobre o caso ISL.

No ano passado, advogados que atuavam em nome da Fifa e dos dirigentes citados no caso pagaram 5,5 milhões de francos suíços (cerca de R$ 10,7 milhões) para encerrar um processo sobre o assunto na Justiça suíça e manter suas identidades em segredo.

Ética na Fifa

Blatter também detalhou nesta sexta-feira os planos de reforma nos órgãos responsáveis pela fiscalização da ética na Fifa e anunciou a criação de três "forças tarefas" e de um comitê de governança para supervisionar as mudanças na entidade.

Uma das forças tarefas vai examinar o estatuto da Fifa, outra vai avaliar mudanças no comitê de ética e a terceira será responsável por outras iniciativas para deixar a entidade mais transparente.

Já o comitê de governança deve incluir representantes de clubes, jogadores, árbitros e do futebol feminino. O presidente da Fifa prevê que as reformas sejam implementadas nos próximos dois anos.

Segundo Blatter, os planos anunciados nesta sexta-feira sinalizam que a Fifa encara com seriedade as acusações de falta de transparência, surgidas após escândalos recentes envolvendo a entidade.

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