Patriota cobra que ONU coordene reconstrução da Líbia

Banner semidestruído de Khadafi visto em prédio em Sirte (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Morte de Khadafi trouxe à tona discussões sobre a reconstrução da Líbia

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, defendeu nesta sexta-feira no Rio de Janeiro que a ONU coordene a transição política e a reconstrução da Líbia, agora que o coronel Muamar Khadafi está morto.

"É muito importante trabalharmos no âmbito das Nações Unidas, e as Nações Unidas assumirem plenamente a responsabilidade, tanto o estabelecimento de um cronograma que seja acompanhado pela comunidade internacional de democratização do país, com eleições, com o estabelecimento de uma Constituição e com a estabilização política do país, quanto em relação à reconstrução", disse Patriota.

Após cerca de dois meses foragido, Khadafi, que governou a Líbia por 42 anos, foi morto nesta quinta-feira em sua cidade natal, Sirte.

A morte do líder e a tomada de Sirte consolidaram o domínio do CNT (Conselho Nacional de Transição, órgão político que representa os opositores a Khadafi) sobre o país e trouxe à tona discussões sobre a reconstrução líbia.

Segundo o chanceler brasileiro, o Brasil está estudando duas formas de participar desse processo: contribuindo com ajuda humanitária, por meio do Programa Mundial de Alimentos da ONU, e colaborando com um programa de desminagem.

Patriota afirmou ainda que as empresas brasileiras presentes na Líbia (a Petrobras e as construtoras Andrade Gutierrez, Odebrecht e Queiroz Galvão), cujas operações foram suspensas durante os conflitos no país, querem retomar suas atividades o quanto antes.

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Image caption Para Patriota, Brasil pode colaborar enviando ajuda humanitária à Líbia

"São atividades que beneficiarão a economia líbia: ampliação de aeroportos, saneamento urbano, construção de infraestrutura, enfim, há uma série de atividades em que o governo e o setor privado (brasileiros) podem assistir os líbios a encararem o futuro com mais otimismo."

Ele disse acreditar que a reconstrução ocorrerá rapidamente, já que a Líbia é rica em recursos naturais, principalmente petróleo.

"Talvez mais sensível (do que a reconstrução) seja a questão do fim da violência, da estabilização e da democratização do país."

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O anúncio da morte de Khadafi foi comemorado por parte da população, que saiu para festejar nas ruas de Trípoli e Benghazi. Líderes estrangeiros, como o presidente americano, Barack Obama, o presidente da França, Nicolas Sarkozy e o premiê britânico, David Cameron exaltaram a captura de Khadafi e pediram união à Líbia.

Já a presidente Dilma Rousseff afirmou em Angola, durante visita de Estado, que não se pode comemorar "a morte de qualquer líder".

Nesta sexta-feira, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos pediu uma ampla investigação sobre o momento da captura de Khadafi, alegando que ''há muita incerteza sobre o que aconteceu exatamente. Parece haver quatro ou cinco versões sobre o ocorrido''.

Ao mesmo tempo, a Otan (aliança militar ocidental) disse que a aliança tomou a decisão preliminar de pôr fim a suas operações militares na Líbia no fim de outubro. A decisão final será tomada na próxima semana, após consultas com o governo transitório líbio, disse Anders Fogh Rasmussen, secretário-geral da Otan.

A queda de Khadafi ocorre meses após o ex-presidente egípcio Hosni Mubarak e o tunisiano Zine al-Abedine Ben Ali também serem depostos por pressão popular.

*Colaborou João Fellet, da BBC Brasil em Brasília

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