Contra imigração ilegal, Grã-Bretanha aperta o cerco a escolas de inglês para estrangeiros

Agente de imigração britânico. Foto: PA Direito de imagem PA
Image caption Ação visa impedir que estrangeiros entrem com vistos de estudante, mas com objetivo de trabalhar

Mais de 470 instituições de ensino da Grã-Bretanha foram impedidas, nos últimos seis meses, de aceitar novos alunos de países de fora da Europa, segundo informa o Ministério do Interior britânico.

As instituições, que oferecem cursos de línguas, profissionalizantes e cursos preparatórios para a entrada em universidades, ou tiveram suas licenças revogadas, ou não aderiram a um novo esquema de inspeção, que faz parte dos esforços do governo para evitar abusos contra o sistema de imigração, e com isso não puderam matricular os alunos.

O ministério estima que, caso não tivessem sido impedidas, essas escolas poderiam ter levado ao país 11 mil estudantes nesse período.

O ministro da Imigração britânico, Damian Green, diz que as mudanças no sistema estão começando a gerar resultados.

Regras mais rígidas foram introduzidas este ano para a concessão de vistos de estudantes. Elas visam eliminar cursos que estivessem envolvidos em tentativas sistemáticas de levar trabalhadores para dentro da Grã-Bretanha ao ajudá-los a se fazer passar por estudantes.

As medidas pretendem assegurar que os estudantes saibam verdadeiramente falar inglês, que os cursos tenham credibilidade e que os administradores das instituições cumpram com suas obrigações junto à imigração e à concessão de vistos.

As licenças de 302 dessas escolas foram revogadas. Outras 172 instituições tiveram a permissão de continuar dando aula a estudantes já matriculados, mas autoridades afirmam que elas não podem mais aceitar alunos novos de fora da Europa.

Neste ano, a Agência de Fronteiras da Grã-Bretanha investigou mais de cem instituições de ensino, depois que autoridades registraram um grande aumento nos pedidos de vistos de estudantes vindos do sul da Ásia, pouco antes que a rigidez das normas fosse intensificada.

Durante a investigação, a agência descobriu que um dos candidatos a estudante, entrevistado por telefone, conseguia responder à maioria das questões apenas com a palavra "alô".

Em outro caso, uma escola de Norfolk (leste da Inglaterra) registrou alunos que alegavam viver em Glasgow, na Escócia.

Resultados

Os 11 mil alunos barrados pela perda de licença das instituições representam cerca de 4% de todos os vistos de estudantes concedidos no país, mas o ministro da Imigração afirma que as mudanças no sistema estavam começando a dar resultados.

"Muitas instituições ofereciam a estudantes de fora um serviço de imigração em vez de educação, e muitos estudantes vieram à Grã-Bretanha com o objetivo de conseguir empregos e trazer familiares", disse Damian Green.

"Somente provedores de educação de primeira classe devem ter licenças para bancar estudantes estrangeiros. Nós restringimos as oportunidades para trabalhar durante o período de estudos e para trazer familiares (ao país)", afirmou.

"É essencial que o governo pense na maneira como as regras serão comunicadas externamente", disse Nicola Dandridge, presidente da Universities UK (uma associação que reúne universidades britânicas).

"É importante que a Grã-Bretanha aparente estar 'aberta para negócio' àqueles indivíduos que estão genuinamente comprometidos em vir ao país para estudar em uma de nossas respeitadas universidades", afirmou.

"Nós também devemos estar conscientes do impacto que os cortes nos cursos preparatórios estão impondo às nossas universidades", disse Dandridge. Segundo ele, muitas instituições possuem programas de acesso à educação de nível superior, garantidos por vários tipos de financiadores.

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