G20 tenta fechar plano para conter crise europeia

Nicolas Sarkozy, Angela Merkel, Barack Obama e David Cameron. Foto: Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Líderes discutem possível aumento do poder de fogo do FMI para ajudar países em crise

Os líderes das 20 principais economias do mundo encerram nesta sexta-feira em Cannes, na França, a cúpula anual do G20, tentando encontrar soluções para a crise das dívidas europeias e para o resgate da Grécia, assuntos que vêm dominando as discussões no balneário desde antes do início oficial da reunião.

Entre as possíveis alternativas discutidas na reunião está a disponibilização de centenas de bilhões de dólares em linhas de crédito pelo FMI, para dar garantias a países em dificuldades para honrar suas dívidas.

Espera-se ainda que o comunicado final do encontro, que deve ser divulgado na tarde desta sexta-feira, traga um compromisso dos países com altos déficits de controlar suas contas e de países com grandes superávits comerciais de estimular seus mercados internos para eliminar os desequilíbrios na economia mundial.

Ainda assim, grande parte da atenção deverá estar voltada à Grécia, onde o premiê George Papandreou enfrenta um voto de confiança no Parlamento, o que contribui para as incertezas em relação ao plano de resgate do país.

Solução europeia

Vários líderes presentes na cúpula manifestaram a necessidade de uma solução clara e rápida para a crise que vem ameaçando se alastrar pelos países da zona do euro e contaminar a economia global.

Em declarações na noite de quinta-feira, o anfitrião da cúpula, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse que a zona do euro precisa apresentar uma solução rápida para garantir o futuro da moeda comum europeia e passar uma mensagem clara de credibilidade para o resto do mundo.

"Se o euro afundar, a Europa afunda", afirmou Sarkozy. Segundo ele, a moeda comum é "a principal garantia de paz no continente.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também destacou na quinta-feira a importância do combate à atual crise para garantir a recuperação econômica mundial. "O mais importante aspecto de nossa tarefa nos próximos dois dias é resolver a crise financeira aqui na Europa", afirmou.

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, que na manhã desta sexta-feira se reuniu com Angela Merkel, a chanceler (premiê) da Alemanha, maior economia da zona do euro, também se manifestou sobre a crise durante um discurso em uma das sessões de trabalho da cúpula na quinta-feira.

Dilma disse que o Brasil está pronto a contribuir para uma solução à crise europeia, mas cobrou dos líderes da região "liderança, visão clara e rapidez".

O presidente da China, Hu Jintao, afirmou esperar que a Europa consiga encontrar o caminho da recuperação. "A Europa é a maior economia global, e não haverá recuperação econômica global sem a recuperação econômica da Europa", disse.

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Ajuda emergente

Um dos pontos em aberto nas discussões em Cannes é a possibilidade de os grandes países emergentes, como o Brasil ou a China, contribuírem financeiramente para ajudar os países europeus em dificuldades.

Representantes dos Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) já manifestaram disposição em contribuir por meio do FMI, o que estaria de acordo com o aumento do capital do fundo previsto no rascunho da declaração do G20.

Apesar disso, líderes do grupo também cobraram, como Dilma, que os próprios europeus eliminem suas divergências internas e coloquem em andamento o plano acertado na semana passada pelos países da zona do euro.

"A Europa deve se ajudar a si mesma, e a União Europeia tem tudo para isso hoje - a autoridade política, os recursos financeiros e o apoio de muitos países", afirmou o presidente da Rússia, Dmitry Medvedev.

O plano anunciado na semana passada previa uma capitalização para os bancos da região, um aumento no capital do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, para ajudar os países em dificuldades, e o corte voluntário de 50% na dívida grega, em troca de mais medidas de austeridade para equilibrar as contas do país.

Mas o anúncio do governo grego de um referendo sobre o plano, no início da semana, provocou pânico nos mercados financeiros e gerou dúvidas sobre a capacidade dos europeus de implementarem o que foi acordado.

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