Papandreou ganha voto de confiança para seguir lidando com a crise grega

Premiê grego, George Papandreou, faz discurso no Parlamento grego (Foto: Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Papandreou enfrenta enxurrada de críticas de aliados e opositores

O primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, ganhou uma moção de confiança do Parlamento na noite desta sexta-feira. Com 153 votos a favor e 145 contra, o líder grego não precisou renunciar, permanecendo à frente do governo para lidar com a crise que assola o país e ameaça a moeda única europeia.

Antes da votação, Papandreou disse que se empenhará na formação de um governo de união nacional para enfrentar a crise. Ele também defendeu a implementação do acordo de resgate fechado com a União Europeia. "É uma prioridade nacional", disse.

Na quinta-feira, diversos deputados aliados se rebelaram e alguns pediram a renúncia de Papandreou. A moção de confiança foi votada após o Papandreou convocar um polêmico referendo sobre o acordo com a União Europeia, dividindo o governo.

No discurso, o primeiro-ministro argumentou que a convocação de eleições "paralisaria o país" e seria uma "catástrofe" neste momento.

Fora do Parlamento, milhares de manifestantes protestavam contra o acordo, defendido por Papandreou.

"(Trata-se) de um acordo que nos dá segurança, que nos garante nosso espaço na Europa. Um acordo que nos permite zerar boa parte de nossas dívidas e pagar menos juros. Isso facilita nossa caminha nos próximos anos", disse.

Divisão

A divisão na coalizão de governo aflorou após Papandreou convocar, de surpresa, um referendo sobre o acordo da Grécia com a União Europeia, fechado na última semana.

Após o anúncio, Papandreou foi chamado para uma conversa urgente durante a cúpula do G20, em Cannes, na quarta-feira, onde o presidente francês Nicolas Sarkozy e a chanceler alemã Angela Merkel disseram que qualquer referendo levantaria a questão sobre se a Grécia quer permanecer na zona do euro.

Na quinta-feira, após discursar no Parlamento defendendo o referendo, Papandreou foi contestado por seu ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, que se posicionou contra a consulta popular.

Nesta sexta-feira, Venizelos disse que o referendo não será realizado.

Reação da União Europeia

Mais cedo, diante da perspectiva de renúncia de Papandreou, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, disse esperar que a Grécia forme um governo de unidade nacional e permaneça na zona do euro.

"Se há um momento para uma união nacional na Grécia, é agora", afirmou Barroso, em entrevista à BBC Brasil.

Ele afirmou que "a Grécia está em uma das situações econômicas mais críticas em que um país pode estar". "Eles estão à beira da bancarrota – se não houver uma resposta adequada, não terão dinheiro para pagar escolas, hospitais e as funções básicas do Estado."

"É uma situação excepcionalmente séria", disse.

Entretanto, o chefe do braço executivo europeu admitiu a possibilidade de o país abandonar a moeda comum, se este for o seu desejo.

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Image caption Acordo com medidas de austeridade é extreamente impopular na Grécia

"Cabe a eles decidir se querem ou não permanecer na zona do euro", ponderou o português.

"Acreditamos que é de interesse deles, e queremos que eles fiquem. Acho que o princípio de um país abandonar o euro não é bom. Mas no fim das contas, depende de eles implementarem as decisões tomadas em conjunto."

Acordo

O acordo, fechado em 28 de outubro, prevê fortes ajustes nas contas gregas, assim como a redução de 50% da dívida do país junto a credores privados, fruto de uma longa negociação com os bancos.

Além disso, os países da zona do euro concordaram em conceder à Grécia um segundo pacote de ajuda no valor de 130 bilhões de euros, em troca da adoção de medidas de austeridade que incluiriam o corte de salários e a demissão de funcionários públicos.

Analistas dizem que a zona do euro deve resolver rapidamente o problema da Grécia, para evitar que a crise se espalhe por outras economias vulneráveis, especialmente a Itália.

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