Líder de oposição da Grécia pede renúncia de Papandreou

Antonis Samaras depois de reunião com o presidente grego em Atenas (AFP/Getty) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Samaras voltou a pedir renúncia do primeiro-ministro grego

O líder do principal partido de oposição da Grécia, Antonis Samaras, voltou a falar que o primeiro-ministro grego, George Papandreou, deve renunciar ao cargo por causa da crise que atinge o país.

Depois de uma reunião neste domingo com o presidente, Karolos Papoulias, Samaras, do partido Nova Democracia, afirmou que se o primeiro-ministro renunciar, "tudo seguirá seu rumo" no país.

No sábado, Papandreou tentou iniciar a formação de um governo de coalizão na Grécia.

Samaras apoia a ideia de um governo de coalizão para a Grécia sem a presença de Papandreou para garantir a ratificação no Parlamento do acordo de resgate fechado com a União Europeia. Mas, ele também insiste na necessidade da convocação de eleições antecipadas, uma ideia que o primeiro-ministro qualificou de catastrófica.

Papandreou afirma que, antes de convocar eleições antecipadas, é preciso esperar até que o plano de resgate da União Europeia seja aprovado.

Samaras não falou se vai participar do governo de união nacional, como foi proposto no sábado por Papandreou, mas acrescentou que está "decidido a ajudar".

Segundo a agência de notícias Reuters, duas pesquisas de opinião pública divulgadas no sábado sugerem que os gregos preferem um governo de união nacional à convocação de eleições antecipadas.

Consenso

O presidente grego, Karolos Papoulias, pediu que os dois lados superem as diferenças e trabalhem juntos para resolver a crise que ameaça a Grécia e vários outros países europeus.

"O consenso é o único caminho", disse Papoulias ao primeiro-ministro George Papandreou no sábado, horas depois de o primeiro-ministro ganhar uma moção de confiança do Parlamento na noite de sexta-feira.

Com 153 votos a favor e 145 contra, o líder grego não precisou renunciar, permanecendo à frente do governo para lidar com a crise que assola o país e ameaça a moeda única europeia.

Apesar do pedido do presidente, Papandreou e o líder de oposição ofereceram planos radicalmente diferentes para enfrentar a crise no país, incluindo a insistência de Samaras na convocação de eleições antecipadas.

"Não pedimos cargos no governo", disse Samaras no sábado. "Tudo o que queremos é que Papandreou renuncie, pois ele se transformou em um risco para o país. Insistimos em eleições imediatas."

No sábado, Papandreou insistiu na formação do governo de união nacional, que, segundo ele, precisará de muitos meses para salvar o país da falência e garantir que a Grécia continue dentro da zona do euro.

"A cooperação é necessária para garantir, para a Grécia e para nossos parceiros, que podemos honrar nossos compromissos", disse o primeiro-ministro na reunião com o presidente.

"Temo que a falta de cooperação possa prejudicar a forma como nossos parceiros veem nossa vontade de permanecer no núcleo central da União Europeia e (da zona) do euro", afirmou.

Década

No sábado, a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que poderá ser necessária uma década para a Europa resolver sua crise de dívidas e que esta crise pode ser solucionada se os países estabelecerem limites legais para o endividamento.

"Todos na Europa devem fazer um esforço para alcançar tudo o que for necessário", afirmou Merkel em comentários postados em sua página na internet.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, por sua vez, reconheceu que a Grécia pode sair da zona do euro.

"Acho que o princípio de um país deixando o euro não é bom. Mas, no final, depende da capacidade deles de implementar as decisões tomadas em conjunto", afirmou.

Acordo

O acordo com a União Europeia para ajudar a Grécia, fechado em 28 de outubro, prevê fortes ajustes nas contas gregas, assim como a redução de 50% da dívida do país junto a credores privados, fruto de uma longa negociação com os bancos.

Além disso, os países da zona do euro concordaram em conceder à Grécia um segundo pacote de ajuda no valor de 130 bilhões de euros, em troca da adoção de medidas de austeridade que incluiriam o corte de salários e a demissão de funcionários públicos.

Analistas dizem que a zona do euro deve resolver rapidamente o problema da Grécia, para evitar que a crise se espalhe por outras economias vulneráveis, especialmente a Itália.

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