Nicarágua elege novo presidente e Parlamento

Nicaraguenses fazem fila para votar em Manágua (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Nicaraguenses fazem fila para votar em Manágua (Reuters)

Os cerca de 3,4 milhões eleitores da Nicarágua estão participando neste domingo da votação para eleger um novo presidente e representantes no Parlamento.

Cinco partidos e alianças participam da disputa, mas as pesquisas de opinião sugerem que o atual presidente Daniel Ortega, do Partido Sandinista (de esquerda), é o favorito.

Ortega chegou ao poder no país pela primeira vez como o líder da revolução sandinista de 1979. Depois de perder a eleição presidencial de 1990, ele foi reeleito em 2006 e liderou o país durante um período de crescimento econômico.

As pesquisas de opinião sugerem também uma grande distância entre Ortega e o segundo colocado na preferência do público, o candidato conservador Fabio Gadea, uma figura de destaque no setor de rádios da Nicarágua, de 80 anos, do Partido Liberal Independente.

Ainda segundo as pesquisas, em terceiro lugar está no ex-presidente conservador Arnoldo Aleman. De acordo com os resultados destas pesquisas, Ortega já ganharia as eleições no primeiro turno.

Ocorreram choques entre partidários de Ortega e de Gadea na cidade de Sebaco, a cerca de 90 quilômetros da capital, Manágua, segundo a agência de notícias AFP.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) enviou 65 pessoas para monitorar as eleições no país e a União Europeia também enviou seus monitores, além de 20 mil observadores nicaraguenses.

Programas sociais

Desde que liderou o movimento sandinista e derrubou o ditador Anastasio Somoza, em 1979, Ortega tem sido uma figura de liderança na política da Nicarágua.

Depois da queda de Somoza, ele governou o país por 11 anos, lutando uma guera civil contra os rebeldes que contavam com o apoio dos Estados Unidos e finalmente perdeu uma eleição em 1990.

Ele foi derrotado novamente nas eleições de 1996 e 2001, até que, em 2006, ele foi eleito presidente graças à elaboração de uma imagem mais suave durante a campanha e divisões na oposição do país.

Em 2009 a Suprema Corte, controlada por sandinistas, mudou a lei de reeleição no país e isto levou ao temor da oposição de que Ortega queira continuar na Presidência por muito tempo.

Segundo o correspondente da BBC em Manágua Arturo Wallace, os opositores de Ortega afirmam que ele só conseguiu terminar a campanha com tanta vantagem nas pesquisas de opinião por ter intimidado seus rivais e por ter abusado de seu poder no país.

Mas, a maioria dos eleitores parece não se importar com estas acusações, de acordo com o correspondente.

Muitos nicaraguenses se beneficiaram dos programas sociais estabelecidos pelo governo de Ortega nos últimos cinco anos, com a ajuda financeira de seu aliado, o presidente da Venezuela, Hugo Chavez.

E, ainda segundo Arturo Wallace, o crescimento da economia do país parece ter também tranquilizado o setor empresarial.

Notícias relacionadas