Anistia critica operação policial que matou cinegrafista e mais quatro no Rio

Polícia no Rio Direito de imagem Reuters
Image caption Anistia Internacional criticou operações da polícia que geram violência em comunidades do Rio

A Anistia Internacional criticou a operação da polícia do Rio de Janeiro na Favela Antares que provocou a morte de pelo menos cinco pessoas, entre elas o cinegrafista da TV Bandeirantes, Gelson Domingos da Silva.

A Polícia Militar do Rio de Janeiro invadiu na manhã de domingo a favela Antares, no bairro Santa Cruz, na zona oeste da cidade. A PM afirma que missão dos policiais era checar informações de que líderes do tráfico fortemente armados estavam mantendo reuniões na favela.

Nove pessoas foram presas na operação que terminou na manhã desta segunda-feira. Segundo a PM, outras quatro pessoas – todas elas supostamente ligadas ao grupo de traficantes – morreram, além do cinegrafista.

'Vidas em risco'

"Neste caso particular, o que aconteceu foi uma tragédia, mas isso sublinha um ponto mais amplo que a Anistia vem fazendo há anos", disse à BBC Brasil o representante da entidade para assuntos relacionados ao Brasil, Patrick Wilcken.

"A Anistia critica essas operações militarizadas no Rio, onde a polícia invade uma comunidade. Isso põe em risco a vida de pessoas da comunidade e também de jornalistas."

"É preciso questionar esse tipo de estratégia. O Rio de Janeiro já mostrou ao mundo com as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadoras) que existem alternativas no combate à violência em algumas comunidades."

Wilcken ressaltou que o tipo de operação como a que foi conduzida no domingo provoca violência que se acumula desproporcionalmente sobre as comunidades mais pobres.

Sobre a morte do cinegrafista Gelson Domingos da Silva, o representante da Anistia Internacional disse que esse tipo de cobertura jornalística é uma atividade "intrinsecamente perigosa".

Silva foi alvejado com um tiro de fuzil enquanto filmava um tiroteio entre a polícia e os traficantes. Ele estava usando um colete à prova de balas, no entanto o equipamento não era resistente a tiros de fuzil.

O representante da Anistia afirmou não conhecer todos os detalhes sobre a morte do cinegrafista, mas ressaltou que cabe às empresas jornalísticas fazerem tudo que puderem para proteger os seus funcionários.

Em nota, o Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro classificou o tipo de colete à prova de balas fornecido aos jornalistas em operações de risco de "pífio". A entidade também cobrou que o Grupo Bandeirantes auxilie financeiramente a família do cinegrafista.

A Bandeirantes divulgou uma nota em resposta ao sindicato na qual afirma que o colete usado por seus repórteres é o "III-A, o modelo de maior capacidade de proteção liberado pelas Forças Armadas para utilização por civis". A emissora também disse que profissionais que atuam em situações de risco possuem um seguro diferenciado.

A operação na Favela Antares terminou nesta segunda-feira com cinco mortos e nove pessoas presas. Foram apreendidos um fuzil AR-15, três pistolas, cinco rádios, drogas e 10 motos.

Segundo a PM, entre os presos estão o gerente do tráfico local, Renato José Soares, conhecido como "BBC", e o seu braço-direito, Leandro Ferreira de Araújo, conhecido como "China".