Preferido dos mercados, Monti é a antítese de Berlusconi

Mario Monti Direito de imagem Reuters
Image caption Espera-se que Monti nomeie gabinete formado por tecnocratas para combater a crise

O economista Mario Monti, de 68 anos, convidado neste domingo a formar o novo governo da Itália, é quase uma perfeita antítese de Silvio Berlusconi, o homem a quem sucederá como primeiro-ministro do país.

Enquanto Berlusconi é uma figura extravagante, polêmica e agora mal vista pelos mercados financeiros, Monti é um respeitado economista e bem conectado com a alta burocracia da União Europeia.

Ele é um negociador duro, presidente de uma universidade que tem a reputação de formar os mais brilhantes pensadores italianos.

Nomeado senador vitalício na quarta-feira pelo presidente Giorgio Napolitano, Monti tem sido visto como alguém acima da política e, nos últimos dias, cada vez mais como o homem que precisa tomar as rédeas no momento em que a economia italiana caminha para o penhasco.

Interesses velados

Mario Monti nasceu em 1943, na cidade de Varese, no norte da Itália. Ele estudou economia na Universidade Bocconi, em Milão, e em Yale, nos Estados Unidos.

Em Yale, ele teve aulas com James Tobin, o criador da "taxa Tobin", também chamada de "taxa Robin Hood" - um imposto que incidiria sobre as transações financeiras para limitar a especulação e financiar programas sociais.

Ele foi professor de economia na Universidade de Turim por 15 anos antes de voltar à Bocconi como reitor, em 1984.

Em 1994, ele foi nomeado comissário da União Europeia para mercados internos e serviços. Sua nomeação foi feita pelo próprio Berlusconi, então no primeiro de seus três períodos como premiê.

Mas foi em seu segundo mandato na comissão, entre 1999 e 2004, que ele ganhou o apelido de "Super Mario" pela maneira como enfrentou interesses velados.

Ele impediu uma fusão entre as gigantes do setor de energia General Electric e a Honeywell e enfrentou os poderosos bancos regionais alemães.

Ele também lançou uma ação anti-truste contra a Microsoft por usar sua dominância no mercado de sistemas operacionais para computadores pessoais para impedir a concorrência em softwares para a reprodução de áudio e vídeo.

Em 2004, a União Europeia multou a Microsoft em 497 milhões de euros (cerca de R$ 1,2 bilhão) pelo que disse ser um abuso de sua posição dominante no mercado.

Integração europeia

Monti havia sido indicado para seu segundo mandato na União Europeia, em Bruxelas, pelo então primeiro-ministro Massimo D'Alema, de centro-esquerda.

Mas em 2004 Berlusconi estava de volta ao poder e se recusou a indicá-lo para um terceiro período.

Em 2005, Monti fundou o centro de pesquisas Bruegel, baseado em Bruxelas, especializado em política econômica. Ele também retornou à Universidade Bocconi, desta vez como presidente.

Em 2010, Monti foi um dos fundadores da iniciativa federalista europeia conhecida como Grupo Spinelli, que procura promover uma maior integração entre os países da União Europeia.

Outros membros do grupo incluem o ex-presidente da Comissão Europeia Jacques Delors, o ex-ministro das Relações Exteriores da Alemanha Joschka Fischer e o deputado europeu verde Daniel Cohn-Bendit.

Monti foi apontado recentemente em Bruxelas para escrever um relatório a respeito do futuro mercado único europeu.

"Ele tem experiência e (...) é uma das personalidades italianas mais estimadas", disse Gianfranco Fini, presidente da Câmara do Parlamento italiano.

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