Ivan Lessa: Mais uma cidadania que se me escapa

Pronto. Perdi a oportunidade de matar uns bons quatro coelhos com duas cajadadas.

Nunca votei em ninguém ou coisa alguma. Conforme vivo repetindo e atormentando meus pobres semelhantes, sempre me deixei levar pela opção de ausência justificada.

Era ausente embora pouco justificado. Mas a obrigatoriedade escrutinal me alienava. Alienado pois segui mundo e vida afora. Feito esse pequeno resumo, abro parágrafo e exponho minha mágoa.

Na quinta-feira, dia 17 de novembro, encerra-se o prazo para se votar, aqui no Reino Unido, para a eleição de 2 (dois) representantes brasileiros no Conselho de Cidadania, entidade que tem por saudável fim ajudar nossa crescente comunidade nestas terras.

Trata-se de organização voluntária e sem fins lucrativos, eleita e formada por cidadãos brasileiros e representante dos interesses e reivindicações da diáspora brasileira no Reino Unido, devidamente repassados para o Conselho de Representantes Brasileiros no Exterior (CRBE), organização votada ano passado em eleição realizada em parceria com o Ministério das Relações Exteriores e entidades representativas como o Consulado e a Embaixada.

O voto atual é, ou foi, direto e individual e, seguindo nossa tradição, em urnas e cédulas à disposição dos eleitores no Consulado Geral do Brasil em Londres, na Casa do Brasil ou na Associação Brasileira no Reino Unido (ABRAS).

O voto pode ser por via postal, bastando para isso fazer o download da cédula no site do Consulado Geral do Brasil (que, por falar nisso, insiste em esclarecer à comunidade brasileira que seu papel na criação do Conselho de Cidadania se resume à facilitação do processo de eleições).

Nosso Consulado não se posiciona em favor de qualquer corrente ideológica, partidária ou candidatura em particular. Tudo de uma lisura ímpar.

Podem votar – quem quiser que corra que talvez ainda dê tempo. Pra mim é tarde – somente nacionais brasileiros maiores de 16 anos, residentes no Reino Unido e munidos de documento comprobatório. Para os votos enviados pelo correio, anexar cópia do documento contendo nome, foto, data de nascimento e assinatura.

Sim, parece-se, visto assim de longe, com o processo eleitoral em nossas terras ora distantes, mas seus fins são diferentes e mais, chamemo-lo assim, mais em família, mais informal.

O eleitor pode escolher até dois candidatos de cada um dos seguintes setores:

1) Setor Religioso

2) Setor Educação/Cultural

3) Setor Comunicação

4) Setor Assistência Social/Saúde

5) Setor Empresarial

6) Setor Trabalhadores

A indicação de pelo menos um candidato é condição mínima para validação do voto. Caso isso não se cumpra, o voto estará automaticamente anulado.

Em tempo: os candidatos ao Conselho de Cidadania tiveram até o dia 27 de outubro para se candidatarem.

Para que seja representativo dos interesses amplos e diversificados da comunidade, estabeleceu-se que o Conselho de Cidadania somente será empossado caso haja um número mínimo de 500 votos válidos.

A eleição estará cancelada caso não se apresente o número mínimo de 1 (um) candidato por setor.

No dia 21 de novembro, segunda-feira que vem, serão divulgados os nomes dos eleitos para o Conselho de Cidadania do Reino Unido. No dia 24, quinta-feira, os membros eleitos tomarão posse.

Por uma vez na vida, minha posição não é isenta: posso não votar, por motivos de saúde verdadeiramente justificáveis, mas despachante nenhum me impedirá de, em posição olímpica, como convém aos dias que vivemos, eu torça para que vençam os melhores em cada setor.

Houvesse – haverá? – um hino à Cidadania Brasileira no Reino Unido e semana que vem eu o estaria cantando aqui onde, mal, muito mal, exerço o que me sobrou de uma cidadania, que, de início, e é duro de admitir, já era pouca.