Oposição lança maior ataque contra forças do governo sírio

Também ocorreram manifestações de apoio ao presidente Bashar al-Assad em Damasco (AFP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Também ocorreram manifestações de apoio ao presidente Bashar al-Assad em Damasco

Forças opositoras ao regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, lançaram o que seria um dos maiores ataques contra as forças do governo desde o início dos protestos na Síria.

Desertores do Exército do país atacaram uma grande base militar perto da capital, Damasco, de acordo com informações de grupos de oposição.

Partes do famoso prédio do Serviço Secreto da Força Aérea síria em Harasta teriam sido destruídas. Não há informações de feridos.

O Conselho Nacional Sírio, uma coalizão de grupos de oposição com base na Turquia, afirmou que o ataque contra o prédio foi realizado pelo Exército da Síria Livre.

Um ataque como este é importante pois o Serviço Secreto da Força Aérea da Síria é uma das agências do Estado mais temidas do país, envolvida com a repressão dos protestos contra Assad.

Segundo o correspondente da BBC em Istambul Jonathan Head, as informações do ataque contra o prédio do Serviço Secreto da Força Aérea surgiram dias depois de uma emboscada na segunda-feira, quando 34 soldados do governo sírio teriam sido mortos pela oposição.

Head afirma que isto seria um sinal de que os choques na Síria estão se transformando em um conflito armado. Todos os principais grupos de oposição afirmam que querem uma rebelião pacífica, mas agora há números significativos de soldados sírios desertores que resolveram pegar em armas contra o governo.

Guerra civil

Uma série de ataques nas últimas semanas deram destaque ao Exército da Síria Livre, o grupo de desertores do Exército que teria sido formado pelo coronel Riyad al-Asad no final de julho.

Os ataques deste grupo levaram alguns dos outros participantes da rebelião da Síria a alertarem para a possibilidade de uma guerra civil no país.

O coronel desertor que teria formado o grupo disse à rede de televisão árabe Al Jazeera que o Exército da Síria Livre continuaria a "oferecer o sangue e a alma de seus homens para ajudar nosso povo a se livrar" do governo atual.

Não se sabe exatamente qual é o tamanho deste grupo. O próprio Exército da Síria Livre afirmou em outubro que contava com 15 mil integrantes, mas este número é considerado um exagero.

Mas, o grupo também admitiu que não poderia enfrentar diretamente o Exército Sírio, que teria mais de 200 mil soldados. De acordo com o Exército da Síria Livre, soldados e oficiais estão desertando o Exército da Síria e entrando para o grupo oposicionista.

No entanto, o Exército Livre da Síria não controla nenhum território no país. Segundo informações da imprensa, o coronel Riyad al-Asad e dezenas de outros membros do grupo ficam em um campo de refugiados na província de Hatay, na fronteira com a Turquia.

Mês violento

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Image caption Representantes da Liga Árabe estão reunidos em Rabat, no Marrocos, para discutir a situação da Síria

Novembro parece ser o mês mais violento desde o início da rebelião na Síria, com mais de 300 pessoas mortas até o momento.

Segundo a ONU, mais de 3,5 mil pessoas já morreram desde o início dos protestos em março. As autoridades sírias responsabilizam gangues armadas e militantes pela violência.

O presidente Bashar al-Assad está sendo cada vez mais pressionado pela comunidade internacional para acabar com os conflitos no país. Assad não cumpriu o plano de paz elaborado pela Liga Árabe, que previa uma anistia ao presidente sírio em troca da renúncia de Assad.

Nesta quarta-feira a Liga Árabe voltou a se reunir no Marrocos para discutir meios de acabar com os conflitos na Síria e como influenciar o governo sírio.

A Liga Árabe já votou pela suspensão da Síria e vai ratificar a decisão nesta reunião em Rabat.

Nas primeiras conversas, o ministro do Exterior turco, Ahmet Davutoglu, afirmou que o governo sírio não cumpriu as promessas.

"O regime sírio vai pagar um preço alto por isto", afirmou.

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