Quase 300 americanos já se inscreveram para disputar Presidência

Analistas afirmam que muitas candidaturas surgem da indignação com a política tradicional americana (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Analistas afirmam que muitas candidaturas surgem da indignação com a política tradicional americana (Reuters)

Quase um ano antes da eleição de 6 de novembro de 2012, 283 pessoas já se inscreveram para disputar a Presidência dos Estados Unidos, segundo a Comissão Eleitoral Federal (FEC, na sigla em inglês), e a lista ainda deve crescer.

O número alto de candidatos se deve à facilidade com que qualquer pessoa pode concorrer à Casa Branca.

Basta ser cidadão americano nascido nos Estados Unidos, ter no mínimo 35 anos de idade e ter vivido no país por pelo menos 14 anos.

Essa facilidade leva muita gente a se candidatar mesmo sabendo não ter qualquer chance real de chegar à Presidência.

"A maioria desses candidatos não faz nada para avançar sua campanha", disse à BBC Brasil o especialista em lei eleitoral americana Richard Winger.

Personagens

A relação de candidatos à Presidência nas eleições de 2012 é formada tanto por políticos tradicionais – entre eles Barack Obama, que busca mais um mandato, e seus rivais republicanos – quanto por todo tipo de personagens curiosos e desconhecidos.

Há um "Uncle Sam" (Tio Sam, um dos símbolos dos Estados Unidos), apelido usado por Samuel Lyndell Powell, que já concorreu em outras três eleições presidenciais.

Também são candidatos President Emperor Caesar e HRM (Sua Majestade Real) Caesar Saint Augustine de Buonaparte Sole Emperor of the United States.

"Há alguns que se candidatam até de dentro das prisões", disse à BBC Brasil Richard Kimball, presidente do projeto Vote Smart, que reúne e distribui informações sobre candidatos políticos nos Estados Unidos.

Outros são apenas cidadãos comuns desiludidos com os políticos tradicionais que resolvem se lançar eles próprios na disputa presidencial.

Cédula

Se a candidatura em si é fácil, ter seu nome inscrito na cédula de votação é quase impossível, a não ser que o candidato seja o escolhido por um dos dois grandes partidos que dominam a política americana (Democrata e Republicano) para concorrer à Presidência.

As regras mudam em cada Estado, mas em geral, para quem não é o candidato democrata ou republicano, é preciso apresentar uma petição com um número determinado de assinaturas de eleitores registrados.

A alternativa para quem não consegue a indicação do partido nem o número mínimo de assinaturas (que pode ser de várias dezenas de milhares, dependendo do Estado) é esperar que os eleitores escrevam seu nome no espaço em branco que há nas cédulas de algumas regiões, concorrendo como um candidato "auto-indicado".

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Image caption Jonathon Sharkey, ou "o Empalador", desistiu de concorrer à Presidência

Todas essas dificuldades de ir adiante na campanha fazem com que muitos candidatos desistam no meio do caminho.

"Por mais que eu deteste a ideia de votar em outro candidato de carreira milionário, a realidade é que, a não ser que você tenha uma fortuna pessoal para financiar a campanha, ou as conexões políticas para que um dos dois partidos financie a sua campanha, você não tem uma campanha!", escreveu em seu site o candidato independente Ken Grammer, ao justificar a desistência.

No entanto, não são apenas as dificuldades da campanha que levam candidatos a abandonar a corrida presidencial.

Ao anunciar sua desistência, o lutador profissional Jonathon "The Impaler" Sharkey ("empalador", em português) avisa aos eleitores que recebeu ofertas para participar de filmes em Hollywood que vão "pagar melhor que o emprego de presidente dos Estados Unidos".

Ele avisa, porém, que pretende voltar à disputa em 2020.

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