Presidente da Colômbia pede esforço de governos contra consumo de drogas

Juan Manuel Santos (BBC)
Image caption Santos diz que Colômbia não conseguirá vencer sozinha a 'guerra' contra as drogas (Foto: BBC)

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pediu aos governantes de outros países que assumam maior responsabilidade no combate às drogas, com maior ênfase em medidas que contenham o consumo.

"Enquanto as pessoas usarem cocaína no Reino Unido, em Nova York ou em Paris, nós continuaremos sofrendo", afirmou Santos em entrevista à BBC.

"(O consumo de drogas) É um problema de segurança nacional, porque ele financia todos os grupos ilegais. É preciso combater toda a cadeia."

Santos, que realiza visita à Grã-Bretanha, disse que a Colômbia não conseguirá vencer sozinha a "guerra" contra as drogas.

"Esperamos mais colaboração e mais co-responsabilidade de outros países. Temos que olhar para esse problema de uma maneira abrangente e global", afirmou o presidente colombiano.

Santos reconheceu que seu país ainda tem muito o que fazer contra os traficantes de drogas, mas disse que o Estado conseguiu dominar boa parte da situação, desmantelando os cartéis.

"A Colômbia era praticamente dominada pelos cartéis das drogas, que tinham a democracia a seus pés. Hoje, eles não existem mais, e todos os seus líderes estão mortos ou na cadeia", afirmou o presidente.

Farc

Sobre as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Santos disse à BBC que, além de ações militares, o governo buscou combater os guerrilheiros diminuindo sua popularidade, adotando uma política social "agressiva", com o foco na erradicação da pobreza extrema.

"Estamos fazendo várias coisas que, anos atrás, eles (as Farc) reivindicavam para o país, como a restituição de terra aos camponeses, os pagamentos de reparações a vítimas (dos conflitos)", afirmou o presidente. "Estamos tirando cada um dos argumentos (dos guerrilheiros) para manter a guerra."

No início de novembro, o governo colombiano anunciou a morte do líder das Farc, Alfonso Cano, em uma operação militar.

Na ocasião, Santos afirmou, em discurso na televisão, que este foi "o golpe mais devastador" que o grupo já sofreu e pediu que as Farc encerrem suas atividades.

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