Farc executam 4 reféns na Colômbia; um 5º sobrevive

Imagem de Erazo em depoimento gravado em 2010 (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Oficial, sequestrado há quase 12 anos, teria fugido pela selva colombiana até ser resgatado

O governo da Colômbia informou neste sábado que quatro reféns das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), todos militares, foram executados pela guerrilha durante uma operação de resgate empreendida pelas autoridades do país.

Horas depois, porém, veio à tona a informação de que um quinto refém teria conseguido escapar da execução. Segundo autoridades colombianas, o sargento Luis Alberto Erazo Maya, que estava sequestrado há quase 12 anos, fugiu pela selva do país ao escutar os tiros contra seus colegas e pôde ser resgatado.

"Em meio à profunda dor, temos uma boa notícia para o país: apareceu vivo o sargento Luis Alberto Erazo", declarou o ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón, agregando que os corpos dos quatro executados foram encontrados na manhã de sábado, durante uma operação de resgate do Exército na selva.

A execução, na localidade de Curillo, no departamento (província) de Caquetá, é um importante revés para as forças de segurança da Colômbia, após uma série de vitórias contra a guerrilha - incluindo a morte do líder das Farc, Alfonso Cano, há três semanas.

Segundo o ministro da Defesa, três dos reféns foram executados com "tiro de misericórdia" na cabeça e um deles com disparos nas costas. No local haviam correntes.

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Image caption Três dos refens foram executados com tiros na cabeça e um deles com disparos nas costas

Informações veiculadas pela imprensa colombiana apontam que os mortos seriam os policiais Elkin Rivas e Edgar Duarte, ambos sequestrados em 1998, e Alvaro Moreno, capturado em 1999, além do sargento do Exército Libio José Martinez, refém desde 1997.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, deu os pêsames aos familiares das vítimas e disse que a execução "é mais uma demonstração da crueldade das Farc".

Santos disse que as Farc são as "únicas responsáveis" pelas mortes.

"É um crime atroz que merece a condenação de todo o país e de toda a comunidade internacional."

Cano e Timochenko

A execução das Farc ocorre três semanas após a guerrilha sofrer um duro golpe, com a morte de seu líder, Alfonso Cano, pelas forças do governo.

Cano foi substituído por Timoleón Jiménez, conhecido como Timochenko. Em sua primeira mensagem como novo líder das Farc, ele afirmou que "todos terão de morrer" para que se dê a guerrilha como vencida.

Estima-se que mais de dez militares e centenas de civis ainda permaneçam reféns das Farc no interior da selva colombiana. A mais famosa refém foi Ingrid Betancourt, ex-senadora e ex-candidata à Presidência, resgatada em 2008.

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Image caption Timochenko disse que que “todos terão de morrer” para que se dê a guerrilha como vencida

As Farc têm sofrido fortes revezes nos últimos anos, com o avanço do Exército colombiano sobre acampamentos da guerrilha de inspiração marxista, que há quatro décadas atua na selva colombiana.

Em 2008, o número dois da guerrilha, Raul Reyes, foi morto em uma operação não autorizada do Exército colombiano na selva do Equador. O episódio estremeceu a relação entre os dois países.

No mesmo ano, outro alto integrante das Farc, Manuel Marulanda, conhecido como Tiro Fijo (Tiro Certeiro), morreu de causas naturais.

A agência Reuters aponta que a execução deste sábado foi a terceira perpetrada pelas Farc contra grupos de reféns nos anos recentes. Episódios semelhantes haviam ocorrido em 2003 e 2007, deixando 21 mortos.

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