Liga Árabe prepara sanções à Síria, que critica 'interferência'

Refugiados sírios na Turqioa protestam contra Bashar al-Assad, na sexta-feira (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Sírios protestam contra o governo desde março

Membros da Liga Árabe se reúnem neste domingo para votar um inédito pacote de sanções econômicas contra a Síria, país que vive uma violenta onda de repressão a manifestantes antigoverno.

As propostas a serem votadas incluem a suspensão de acordos com o banco central sírio, a suspensão de voos comerciais ao país e um veto a viagens de autoridades de Damasco.

Ministros de países árabes redigiram as sanções durante um encontro no Cairo, depois de a Síria ignorar um ultimato da Liga Árabe, que tentou enviar ao país uma missão de observadores com o objetivo de monitorar os confrontos entre forças de segurança e manifestantes pró-democracia.

A Síria, por sua vez, rejeitou a iniciativa da Liga Árabe, alegando que o organismo está interferindo em assuntos internos e tentando "internacionalizar" o conflito sírio.

O correspondente da BBC no Líbano, Jim Muir, diz que Damasco está retratando internamente a ação da Liga Árabe como uma "conspiração ocidental" para prejudicar o país, por conta de sua resistência tradicional a Israel.

A TV estatal síria descreveu as potenciais sanções como "medidas sem precedentes que alvejam a população".

Enquanto isso, confrontos continuavam sendo registrados no país neste domingo, e ativistas alegam que ao menos oito pessoas morreram em manifestações ao redor da Síria.

No sábado, o Exército enterrou 22 militares que também teriam sido mortos nos enfrentamentos.

No total, estima-se que mais de 3,5 mil pessoas tenham morrido no país desde o início dos protestos, em março, segundo cálculos da ONU.

Eficácia das sanções

O correspondente da BBC explica que as sanções provavelmente terão impacto na Síria, mas não de forma dramática e incontornável. Isso porque diversos países vizinhos relutam em impor punições demasiado duras que prejudiquem as relações bilaterais e provoquem uma enxurrada de refugiados sírios em suas fronteiras.

O Iraque, por exemplo, disse que é impossível impor um bloqueio total à entrada de sírios por sua porosa fronteira; o Líbano, por sua vez, se posicionou contra as sanções e dificilmente vai implementá-las.

O rascunho do documento, redigido no sábado pelo Comitê Econômico e Social da Liga e visto por jornalistas, requer o apoio de dois terços dos chanceleres dos países-membros da entidade.

Apesar da resistência de alguns, a expectativa é de que as sanções sejam aprovadas, com o apoio da Turquia, que tem sido uma das mais duras críticas do regime sírio.

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