Comitê da Copa precisa do governo para ser ágil, diz sul-africano

Danny Jordaan Foto: Getty  Direito de imagem Getty
Image caption Jordaan diz que, na Copa, problemas precisam ser resolvidos com rapidez

O Comitê Organizador da Copa e o governo brasileiro deveriam trabalhar juntos para garantir agilidade na resposta a imprevistos e um planejamento coeso em áreas como segurança, afirma Danny Jordaan, que liderou o comitê organizador da África do Sul na Copa de 2010.

Após uma palestra sobre sua experiência à frente do evento na Soccerex, a Feira de Negócios do Futebol, no Forte de Copacabana, no Rio, Jordaan falou à BBC Brasil sobre a importância que a integração com o governo de seu país teve para o planejamento da Copa dos "Bafana Bafana" e também durante o evento.

"Tínhamos representantes do governo conosco no conselho, participando de todas as discussões e dos planos", afirma. "Para planejar uma Copa segura, o governo precisa estar por dentro de tudo (das ações do comitê) e estar pronto para dar suporte."

Ao longo deste ano, a relação entre o governo brasileiro e o Comitê Organizador Local (COL) da Copa de 2014 ficou mais tensa após desavenças sobre os termos da Lei Geral da Copa.

O presidente do COL, Ricardo Teixeira, tinha boas relações com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas não tem o mesmo trânsito com a presidente Dilma Rousseff.

Nesta quinta-feira, o ex-jogador Ronaldo foi confirmado como novo integrante do COL.

Ao lado de Ricardo Teixeira e de um terceiro nome que ainda será escolhido, Ronaldo vai compor o conselho administrativo do comitê. A mudança é vista como uma tentativa de melhorar o diálogo com Brasília.

"Se a intenção é fazer com que os brasileiros abracem mais o evento, sintam-se mais parte dele, acho que o movimento é válido", diz Jordaan sobre o convite do COL ao craque.

Exemplo

Durante sua palestra na Soccerex, Danny Jordaan também deu um exemplo concreto sobre a importância de uma boa interlocução com o governo para a organização do mundial que comandou.

Quando 3 mil funcionários arregimentados para fazer a segurança e a recepção durante uma das partidas da Copa anunciaram uma greve em protesto por aumento de salários, o sul-africano pôde recorrer à polícia para substituí-los no estádio.

"De uma hora para a outra, conseguimos arregimentar 3 mil policiais e eles concordaram em trabalhar sem uniforme, dentro dos estádios, atendendo os torcedores e mostrando os seus lugares", contou.

"Mas isso só foi possível porque o ministro da Segurança fazia parte do meu conselho e estava por dentro de tudo. Na Copa, se alguma coisa dá errado, precisa ser resolvida imediatamente. Não dá para mandar um e-mail para a polícia com um pedido."

Para Jordaan, a infraestrutura é o maior desafio que o Brasil enfrenta nos preparativos para os jogos, e o país deve se concentrar nas obras nos estádios, aeroportos e estradas para terminá-las o mais rápido possível.

"Quando isso estiver pronto, acho que o resto vai ser fácil, mas o maior desafio é deixar as cidades-sede prontas", afirma. O sul-africano não entrou em detalhes sobre o andamento das obras dos estádios no Brasil, mas observou que algumas estão bem mais avançadas do que outras.

"Eu não tenho detalhes sobre o cronograma, mas pelo que tenho visto, algumas cidades já começaram a construção dos estádios, enquanto outras ainda estão fazendo a terraplanagem. Seria preciso olhar cidade por cidade para entender onde cada uma está", disse Jordaan.

"A minha esperança é que o Brasil complete toda a infraestrutura, porque estamos todos esperando uma ótima Copa do Mundo, mas vai ser duro, vai ser difícil."

Notícias relacionadas