Copa e Olimpíada são oportunidade de ampliar comércio com Brasil, diz senador dos EUA

O senador Richard Lugar. | Foto: AFP Direito de imagem AFP
Image caption Lugar é aliado do Brasil na área comercial, mas já criticou a atuação do país em Honduras

O senador Richard Lugar, líder republicano da Comissão de Relações Exteriores do Senado americano, disse nesta sexta-feira que a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 representam uma oportunidade única para que os Estados Unidos ampliem sua relação comercial com o Brasil.

"Essa confluência única dos dois mais importantes eventos esportivos do mundo ocorrendo em um ambiente econômico dinâmico, pode abrir caminho para um avanço monumental da economia brasileira", disse o senador, em um evento do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos da Câmara de Comércio americana, em Washington.

Lugar observou que a realização dos dois eventos vai gerar um "enorme crescimento" em setores como construção, engenharia e tecnologia, serviços e sistemas de segurança.

"Se o governo dos Estados Unidos falhar em levar adiante uma política visionária de expansão comercial com o Brasil, oportunidades de longo prazo para trabalhadores e empresas americanas associadas a essa transformação serão perdidas para sempre", afirmou.

De acordo com Lugar, com a perda de fatias do mercado brasileiro para países como a China, os Estados Unidos perdem também influência política na região e um potencial de geração de empregos em território americano.

Ele disse ainda que, apesar da visita do presidente Barack Obama ao país, em março, e de progressos na relação bilateral, a agenda dos Estados Unidos em relação ao Brasil deveria ser "bem mais ambiciosa".

Energia e etanol

As oportunidades de ampliação do comércio com o Brasil já haviam sido destaque durante a visita de Obama, em um momento em que a economia americana enfrenta dificuldades.

Além de investimentos relacionados à Copa e aos Jogos Olímpicos, os americanos também têm interesse no setor de energia, especialmente após as descobertas de petróleo na camada do pré-sal.

Outro ponto de interesse na relação bilateral são os biocombustíveis, no qual os dois países se destacam. Nesta semana, uma delegação brasileira está em Washington discutindo cooperação no setor de biocombustíveis para aviação.

No etanto, a relação entre Brasil e Estados Unidos nessa área sofre com barreiras à entrada do etanol brasileiro nos Estados Unidos.

Além de subsidiar o seu produto, o país também impõe uma tarifa de importação de 16 centavos de dólar por litro, que acaba sobretaxando o etanol brasileiro.

O Brasil reivindica há anos o fim dessa sobretaxa, sem sucesso. No final do ano, a tarifa expira novamente, e cabe ao Congresso decidir renová-la ou não.

Apesar de não defender o fim da tarifa oficialmente, Lugar já chegou a propor, em 2007, uma avaliação de qual seria o impacto da redução dessa taxa.

No entanto, nesta sexta-feira, ao ser questionado pela representante da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) em Washington, Letícia Phillips, sobre se chegou a hora de os Estados Unidos deixarem de renovar a tarifa, o senador se esquivou de uma resposta mais clara.

Considerado um aliado do Brasil em matéria de comércio, Lugar defende ainda um acordo para evitar a dupla tributação entre Estados Unidos e Brasil e um acordo de acesso a mercados com o Mercosul.

O senador, porém, também já chamou a atenção por críticas ao país, especialmente durante a crise política em Honduras em 2009. Na época, Lugar criticou o fato de o Brasil se recusar a reconhecer a eleição presidencial de Honduras sem o retorno do presidente deposto, Manuel Zelaya.

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