Polícia encontra corpo de mulher em casa de atirador de Liège

Nordine Amrani (Sudpressse Belgium) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Amrani teria se matado com um tiro na cabeça, segundo testemunhas

A polícia da Bélgica encontrou o corpo de uma mulher em um abrigo que pertence ao atirador que matou cinco pessoas e cometeu suicídio em Liège na terça-feira.

Segundo as autoridades belgas, o corpo foi encontrado com um ferimento a bala na cabeça e seria de uma mulher de cerca de 45 anos que trabalhava para um dos vizinhos do atirador.

A promotora pública Daniele Reynders informou, durante uma entrevista coletiva, que também foram encontradas no abrigo duas armas e muita munição. Mas nenhuma mensagem foi deixada pelo atirador.

Segundo as autoridades, o atirador, Nordine Amrani, usava o abrigo também para cultivar maconha.

Amrani lançou seu ataque na tarde de terça-feira contra a praça central de Liège. O ataque, com armas e granadas de mão, deixou quatro mortos.

Dois adolescentes e uma mulher de 75 anos morreram e um bebê de 17 meses morreu no hospital devido aos ferimentos, horas depois do ataque. Os disparos foram feitos do alto de um prédio, de onde o atirador jogou granadas, ferindo cerca de 125 pessoas, antes de cometer suicídio.

O Ministério do Interior belga informou que quatro pessoas ainda estão em estado grave.

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Image caption Carros da polícia parados na praça central de Liège, logo depois do ataque

O atirador, de 32 anos, já havia sido condenado em 2008 por porte ilegal de armas. Ele saiu de casa com uma pistola e três granadas dentro de uma bolsa, segundo a promotora da cidade.

'Caso isolado'

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O primeiro-ministro belga, Elio Di Rupo, afirmou que este foi um "caso isolado".

"Este é um caso isolado. Não é terrorismo", afirmou.

A cidade de Liège vai fazer um minuto de silêncio e uma vigília nesta quarta-feira em homenagem às vítimas do ataque.

Segundo o correspondente da BBC na cidade Matthew Price, a praça onde onde ocorreu o ataque, Place Saint-Lambert, foi reaberta nesta quarta-feira, mas as manchas de sangue, vidros quebrados e marcas de bala ainda podem ser vistas no local.

As autoridades belgas descartaram a possibilidade de terrorismo político ou de doença mental de Nordine Amrani, mas ainda não sabem o motivo do ataque. Agora, a investigação vai tentar descobrir se havia qualquer indicação de que Amrani poderia ser uma ameaça ao público, de acordo com Price.

Amrani, que morava em Liège, foi condenado à prisão em setembro de 2008 por porte ilegal de armas e drogas, segundo a imprensa local. Ele deixou a cadeia em liberdade condicional em outubro de 2010.

As autoridades não confirmaram a informação, mas afirmaram que sabiam que Amrani tinha passado algum tempo na prisão.

"Em nenhum momento os procedimentos judiciais contra ele tiveram qualquer sinal de desequilíbrio", afirmou a promotora Daniele Reynders a jornalistas.

'Quatro explosões'

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Image caption Rei Albert e Rainha Paola 2ª visitaram o local do ataque

Amrani estaria em liberdade condicional e, na terça-feira, tinha sido convocado para uma entrevista em uma delegacia de polícia, uma entrevista que estaria ligada a acusações contra ele.

Ao invés de ir para a delegacia, Amrani pegou um rifle, revólver e granadas de mão e levou tudo para o centro da cidade, perto do tribunal.

Por volta do meio-dia, ele atirou três granadas contra as pessoas que esperavam nos pontos de ônibus da praça e, em seguida, abriu fogo, causando pânico.

"Ele queria machucar o máximo de pessoas possível", disse o jornalista Nicolas Gilenne à agência de notícias AFP. "Ouvi quatro explosões e tiros durante dez segundos."

Um adolescente de 15 anos morreu na hora, outro, de 17 anos, e uma mulher de 75 anos, morreram no hospital. Amrani morreu no local, mas as autoridades afirmam que ele não foi morto pela polícia. Algumas testemunhas afirmaram que ele se matou com um tiro na cabeça.

O primeiro-ministro belga, Elio Di Rupo, que ocupa o cargo há apenas uma semana, afirmou que "não há palavras para descrever a tragédia".

"O país inteiro divide a dor com as famílias afetadas. Sentimos o choque da população", disse o primeiro-ministro durante uma visita à praça em Liège.

O rei Albert 2º e a rainha Paola 2ª também visitaram a praça da cidade na noite de terça-feira para homenagear as vítimas.