Presença de monitores internacionais não reduz violência da Síria

Manifestantes em Homs (AP) Direito de imagem AP
Image caption Manifestantes fogem de gás lançado pela polícia em Homs, uma das cidades mais afetadas pela violência

Mesmo com a presença de observadores internacionais da Liga Árabe para checar se a Síria está cumprindo um acordo de paz, a violência no país voltou a explodir nesta quarta-feira.

Segundo relato de ativistas, mais de dez pessoas foram mortas em cidades como Homs, Deraa e Idib.

Um vídeo divulgado na internet mostra uma multidão de manifestantes enfurecidos colocando o corpo de um menino sobre um carro que aparentemente pertencia aos observadores.

De acordo com o correspondente da BBC na região Jim Muir, que está no Líbano, o que se ouve no vídeo é alguém dizendo que o menino tinha cinco anos e se chamava Ahmad. “Esses são nossos mártires”, diz um homem aos membros da Liga Árabe. “E eles estão sendo mortos na frente de vocês, observadores”.

Mesmo com a resistência de muitos ativistas em relação à missão árabe, os enviados puderam, segundo Muir, entrar nas áreas mais afetadas de Homs, sem serem acompanhados por forças de segurança sírias, e podendo conversar com moradores.

No início do dia, o chefe da equipe de monitores, o general sudanês Mustafa Dabi, disse que até o momento não havia presenciado "nada assustador”. O correspondente da BBC afirma, no entanto, que o general Dabi está claramente evitando emitir julgamentos.

Prisioneiros

A Síria já havia anunciado nesta quarta-feira a libertação de 755 pessoas detidas durante os protestos contra o presidente Bashar Al-Assad.

De acordo com a TV estatal síria, os prisioneiros se envolveram "em incidentes recentes", mas não tiveram "as mãos manchadas com sangue sírio".

Segundo o plano de paz acordado entre o governo e a Liga Árabe, todos os manifestantes presos durante os protestos contra o governo, iniciados em março, devem ser soltos pela Síria.

Para o correspondente, a libertação dos prisioneiros é um gesto relativamente pequeno, apenas para dar a aparência de que está cooperando com a Liga Árabe.

Abusos

O regime é acusado de cometer abusos contra os detidos. O grupo de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch acusou autoridades sírias de esconder centenas de presos em instalações militares, onde os observadores da Liga Árabe não têm permissão de entrar.

A ONU e entidades de defesa dos direitos humanos estimam que 14 mil pessoas tenham sido detidas, e outras 5 mil tenham sido mortas, devido à repressão do regime sírio contra os manifestantes.

Os números de mortos e demais informações relativas aos confrontos na Síria são difíceis de verificar, já que jornalistas estrangeiros são proibidos de trabalhar no país.

O governo da Síria afirma que está combatendo grupos de terroristas armados, e que centenas de integrantes das forças de segurança também foram mortos nos protestos.

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