Milhares saem à ruas na Síria; repressão deixa vários mortos, dizem ativistas

Vídeo mostra protesto que seria em Hama (AP) Direito de imagem AP
Image caption Grupos de oposição dizem que protestos reuniram dezenas de milhares de pessoas

Confrontos entre as forças de segurança e manifestantes deixaram vários mortos na Síria nesta sexta-feira, em meio a protestos contra o governo do presidente Bashar Al-Assad que levaram dezenas de milhares de pessoas às ruas das principais cidades do país, segundo afirmam grupos de direitos humanos e de oposição ao regime.

Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, cinco manifestantes foram mortos a tiros na cidade de Hama, no centro do país, enquanto outras cinco morreram em Deraa, no sul.

Já os Comitês Locais de Coordenação, grupo de oposição ao regime, afirmam que pelo menos 32 pessoas foram mortas em todo o país nesta sexta-feira: nove em Hama, seis em Deraa, seis na Província de Idlib, no noroeste, e quatro em Tal Kalakh, perto da fronteira com o Líbano.

No entanto, o número exato de vítimas é difícil de verificar, assim como outras informações, já que o governo da Síria impede o trabalho de jornalistas estrangeiros.

Os protestos ocorrem durante a visita de observadores da Liga Árabe à Síria, que têm como objetivo verificar o cumprimento de um acordo de paz fechado com governo de Assad.

Segundo o acordo, a Síria deve retirar todas as suas tropas das ruas nas áreas de conflito, além de libertar todos os manifestantes presos durante os protestos contra o governo, iniciados em março.

Caso não cumpra com o acordo, o regime sírio, que já foi alvo de sanções internacionais, corre o risco de novas represálias.

A ONU e entidades de defesa dos direitos humanos estimam que 14 mil pessoas tenham sido detidas, e outras 5 mil tenham sido mortas, devido à repressão das forças de segurança síria contra os manifestantes.

Por sua vez, o governo da Síria afirma que está combatendo grupos de terroristas armados, e que centenas de integrantes das forças de segurança também foram mortos nos protestos.

Protestos em massa

Ativistas afirmam que os maiores protestos populares contra o regime, realizados depois das orações tradicionais da sexta-feira, ocorreram em Idlib e em Hama.

Também houve manifestações em massa, segundo os grupos de oposição, nas cidades de Homs e Deraa e em diversos subúrbios da capital, Damasco.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, com sede em Londres, afirma que cerca de 250 mil pessoas foram às ruas em Idlib.

A oposição convocou os protestos para mostrar aos observadores da Liga Árabe a dimensão da insatisfação do povo sírio com seu governo.

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Image caption Equipe de observadores da Liga Árabe analisa cumprimento de acordo de paz

Imagens em vídeo transmitidas pela rede de TV árabe Al-Jazeera mostravam uma enorme multidão dançando e entoando gritos que pediam "revolução" e "liberdade".

No entanto, um residente do centro de Damasco, que se identificou como Ram, disse à BBC que integrantes das forças de segurança, fortemente armados, foram enviados às imediações da mesquita de sua região para intimidar os manifestantes.

"Eles estavam desafiando as pessoas. Esta foi a primeira vez que eles mostraram suas armas em público", afirmou. "Eles estavam dizendo às pessoas: 'assim que vocês abrirem a boca, vamos atirar'."

Em Douma, um subúrbio localizado no noroeste da capital, um protesto que reuniu cerca de 70 mil pessoas foi desmantelado por soldados, que dispararam munição de verdade e bombas de gás lacrimogêneo, disseram ativistas.

Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, mais de 20 manifestantes ficaram feridos quando bombas feitas com pregos foram detonadas quando eles se aproximaram da prefeitura de Damasco, onde estariam os monitores da Liga Árabe.

Críticas à missão

A Anistia Internacional fez críticas ao líder da missão da Liga Árabe, o general sudanês Mustafa Al-Dabi, a quem acusa de violar os direitos humanos em seu próprio país. No entanto, a Liga Árabe disse que Dabi tem seu total apoio.

Já os Estados Unidos pediram aos detratores da missão que deixem os observadores terminar seu trabalho. Por sua vez, a Rússia disse que os primeiros comentários feitos pelos monitores indicam que a situação na Síria é "tranquilizadora".

O Exército Livre da Síria, força de oposição ao regime formada por desertores do Exército, disse que interromperá suas ações enquanto os observadores estiverem no país.

Relatos indicam que mais de 150 pessoas foram mortas pelas forças de segurança sírias desde a chegada dos monitores internacionais.

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