Votação em Iowa abre calendário eleitoral americano

Direito de imagem Getty
Image caption Militante de Mitt Romney hasteia bandeira de Iowa antes do caucus no país (Foto: Getty)

O Estado de Iowa dá nesta semana o pontapé inicial no calendário eleitoral americano, com a disputa pela indicação do Partido Republicano para concorrer à Presidência dos Estados Unidos na terça-feira.

Apesar de realizado em um Estado do meio-oeste americano com pouco mais de 3 milhões de habitantes, que muitos consideram pouco representativo do país, por ter população majoritariamente branca e rural, o caucus de Iowa é visto como um teste crucial para a viabilidade de uma candidatura.

Uma boa colocação na prévia de Iowa representa um impulso para as votações seguintes, e muitas vezes os vencedores no Estado acabam sendo os indicados de seus partidos, como ocorreu com o democrata Barack Obama em 2008 e o republicano George W. Bush em 2000, que posteriormente chegaram à Presidência.

Na tentativa de conquistar os votos dos republicanos de Iowa, os principais pré-candidatos que disputam a indicação do partido para concorrer na eleição de 6 de novembro já investiram milhões de dólares em campanhas ao redor do Estado.

De acordo com as pesquisas de intenção de voto mais recentes, o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney mantém a liderança, com 25%.

Em seguida, vêm o congressita Ron Paul e o ex-senador Rick Santorum, que surpreendeu ao alcançar o terceiro lugar nas pesquisas, ultrapassando o ex-presidente da Câmara dos Representantes Newt Gingrich.

Do lado democrata, o presidente Barack Obama concorre à reeleição sem adversários com chance de desafiar sua candidatura, o que faz com que o foco nesta terça-feira seja voltado para a disputa republicana.

História

Direito de imagem Getty
Image caption Mitt Romney mantém a liderança na pesquisa entre republicanos

No caucus republicano de Iowa, a escolha do candidato é feita em assembleias realizadas simultaneamente em 1.784 locais, como escolas, bibliotecas, prédios públicos e mesmo em residências, nos 99 condados do Estado.

Nessas reuniões, são eleitos delegados que prometem apoiar nas convenções o candidato escolhido pelos eleitores.

O lugar privilegiado de Iowa no calendário eleitoral foi conquistado por acaso, em uma época em que os caucus não ocupavam tanta importância no processo. Desde que se tornou um Estado, em 1846, Iowa elege seus candidatos por meio de caucus.

No entanto, foi somente na década de 70 que o status de "Primeiro da Nação" se consolidou. Em 1976, um então pouco conhecido Jimmy Carter foi o primeiro a perceber a importância do caucus de Iowa e investir em uma campanha maciça no Estado.

O democrata acabou recebendo o maior percentual de votos entre os pré-candidatos de seu partido, o que atraiu grande atenção da imprensa e dos eleitores para sua candidatura. A partir de então, Carter assumiu liderança na corrida democrata e, meses depois, conquistou a Casa Branca.

Quase quatro décadas depois, o Estado resiste aos críticos e defende vigorosamente, inclusive com uma lei estadual, seu status de “Primeiro da Nação”.

New Hampshire

A posição de destaque no calendário é compartilhada com New Hampshire, que realiza a primeira primária (em que a votação é feita por meio de cédulas, diferentemente do caucus) do ano uma semana após o caucus de Iowa.

Alguns pré-candidatos republicanos mal-colocados nas pesquisas em Iowa inclusive já desistiram do Estado, e estão focando suas campanhas na primária de New Hampshire, na semana que vem.

Essas duas votações abrem uma maratona de caucus e primárias cujo ponto alto é a Super Terça-Feira, em 6 de março, quando mais de 10 Estados realizarão prévias simultâneas.

Em todas essas disputas, um dos principais desafios dos candidatos será atrair os eleitores aos locais de votação. Segundo o historiador político Allan Lichtman, professor da American University, em Washington, apenas cerca de 25% dos eleitores votam nas prévias.

Essa falta de motivação pode ser agravada neste ano, em um momento em que a crise econômica e os constantes impasses em Washington fazem com que cada vez mais americanos manifestem sua decepção com o Congresso e com a classe política em geral.

Notícias relacionadas