Cristais 'impossíveis' podem ter vindo do espaço

Quase-cristal. WikimediaCommons Direito de imagem WikimediaCommons
Image caption Quase-cristais rompem com as regras de simetria, com estruturas ordenadas mas não periódicas

Peças dos chamados quase-cristais, cuja formação até então desafiava os cientistas, podem ter vindo do espaço, segundo um estudo da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos.

Descobertos em 1982, os quase-cristais ganharam essa denominação porque rompem a simetria encontradas nos demais cristais. Sua estrutura é ordenada, mas não periódica. Eles também possuem propriedades físicas e elétricas diferentes.

Quando foi primeiramente apresentada pelo pesquisador israelense Daniel Schechtman, nos anos 1980, a formação incomum do quase-cristal foi vista com ceticismo no mundo acadêmico.

Tanto que apenas no último ano Schechtman foi amplamente reconhecido, ao receber o Prêmio Nobel de Química pela descoberta.

Os quase-cristais eram produtos exclusivos dos laboratórios até serem pela primeira vez encontrados na natureza, há dois anos, nas montanhas Koryak, na Rússia.

A análise do material, feita pela equipe liderada pela Universidade de Princenton, mostrou que os quase-cristais encontrados na Rússia têm em sua composição elementos que apontam uma origem extraterrestre.

Segundo o estudo, publicado no Procedings of National Academy of Sciences, as pedras podem ter chegado com meteroritos à terra.

Meteorito

A descoberta em 2009 dos cristais nas montanhas russas foi feita pela equipe de geologistas do professor Luca Bindi, então na Universidade de Florença, na Italia. Ele agora faz parte do estudo liderado por Princeton.

O mineral, composto por alumínio, bronze e ferro, mostrou que os quase-cristais podem se manter estáveis sob condições naturais. Mas o processo que havia criado as estrutruas ainda era uma incógnita.

No estudo, feito em conjunto com o professor Paul Steinhardt, Bindi diz que testes adicionais trazem evidências de que os minerais encontrados na Rússia podem ter origem fora da Terra.

Eles usaram a técnica de espectromia de massa, para medir as diferentes formas, chamadas de isótopos, do elemento oxigênio, também presente em partes do mineral.

O padrão dos isótopos de oxigênio se mostrou distinto de qualquer outro já visto em qualquer outro encontrado no planeta. A estutura se mostrou similar, no entanto, à das encontradas em meteoritos conhecidos como Condrito carbonáceo.

As amostras também continham um tipo de dióxido de silício (também chamado silica) que apenas se forma sob alta pressão. A descoberta sugere que os quase-cristais possam ter ou se originado no manto da Terra ou se formaram sob um impacto gerado por alta velocidade, como o que ocorre quando um meteorito se choca com a superfície terrestre.

"Essa evidência indica que os quase-cristais podem se formar naturalmente sob certas condições astrofísicas e permanecem estáveis em escalas de tempo cósmicas", diz o estudo.

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