Espanhóis querem regras mais duras para concessão de carteira de motorista a imigrantes

Anúncio espanhol contra acidentes de trânsito. | Foto: Direção Geral de Trânsito Direito de imagem DGT
Image caption Número de mortes em acidentes de trânsito é maior com motoristas ibero-americanos

Um relatório da Associação de Vítimas de Acidentes de Trânsito e da Confederação de Autoescolas da Espanha dizem que imigrantes ao volante são "uma ameaça".

De acordo com o levantamento, 50% dos motoristas ibero-americanos no país desconhecem as regras de trânsito locais. Os brasileiros ainda têm a barreira do idioma e confundem a nomenclatura.

A pesquisa, feita em conjunto pelas duas associações, conclui que é preciso endurecer as normas para emissão de carteiras a imigrantes, após apresentar testes com motoristas estrangeiros e estatísticas de acidentes.

Segundo os resultados dos testes, 49% dos motoristas imigrantes não fizeram nenhuma prova para conseguir as carteiras nos seus países de origem e 60% desconhecem as regras de ultrapassagem.

Apenas um em cada quatro estrangeiros sabia qual era o limite máximo de álcool permitido para um motorista na Espanha.

'Corrupção'

O problema, segundo as associações, está na facilidade de trocar automaticamente as carteiras de motorista entre os países sem a necessidade de qualquer formação adicional.

A Espanha tem convênios com 17 países de fora da União Europeia (o Brasil entrou na lista em 2009), que eliminam a necessidade de passar por testes teóricos, práticos ou psicotécnicos no país.

"Não somos contra o sistema de intercâmbio de carteiras, mas precisamos garantir que os motoristas estejam bem formados. Isso não está acontecendo. Um motorista que desconhece as regras é uma ameaça à segurança de todos", disse José Miguel Báez, presidente da Confederação Nacional de Autoescolas Espanholas (CNAE), à BBC Brasil.

Além de reclamar do desconhecimento das normas, a CNAE fez acusações sobre corrupção nos departamentos de trânsito de outros países.

"Em muitos países do continente americano não existe um registro de motoristas. Não há provas e as carteiras simplesmente são compradas de maneira corrupta", afirmou Báez.

Com base nas estatísticas do Ministério do Interior, a Associação de Vítimas de Acidentes de Trânsito disse que a média de acidentes entre latino-americanos na Espanha é cerca de oito vezes maior do que entre europeus que dirigem no país.

De cada seis acidentes de trânsito causados por motoristas ibero-americanos, há uma vítima mortal. Entre os europeus de países fora da União Europeia, a média é de um falecimento em cada 50 acidentes.

Aulas

A solução proposta pelas organizações, que têm o apoio do Real Automóvel Club da Espanha, RACE, é oferecer cursos gratuitos sobre como dirigir na Espanha, como condição prévia para validar carteiras estrangeiras.

As aulas serviriam para informar desde o uso de sinais e regras básicas de circulação até noções de primeiros socorros e conduta cívica no trânsito.

"Criar provas não é a solução. Seria um problema diplomático, provocaria rejeição e muita gente decidiria arriscar-se a dirigir sem carteira. Mas colocar como requisito a assistência a alguns cursos nos daria garantias", explicou o coordenador de segurança do RACE, Antonio Lucas, à BBC Brasil.

No entanto, a sugestão, que ainda será levada ao Ministério de Relações Exteriores, já provocou polêmica.

A Federação Estatal de Associações de Imigrantes e Refugiados na Espanha (FERINE) admite que há muitas queixas por acidentes e irregularidades, mas pede que "não haja um clima de alarmismo motivado por estereótipos".

O porta-voz da FERINE, Victor Sáez, disse à BBC Brasil que os cursos "podem ser úteis, mas não deveriam ser condicionantes porque isso significaria uma clara discriminação, que fere os acordos bilaterais".

Segundo o Ministério do Interior, aconteceram 1.338 acidentes graves nas estradas espanholas em 2011, que deixaram 1.479 mortos e 7.069 feridos com sequelas permanentes.

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