China adverte EUA contra 'demonstração de força' na Ásia

Direito de imagem

A mídia estatal da China reagiu nesta sexta-feira ao anúncio de que a Defesa dos EUA aumentará sua presença na Ásia e no Pacífico advertindo Washington a "não tentar demonstrar sua força" na região.

O alerta foi feito um dia depois de o presidente dos EUA, Barack Obama, ter anunciado cortes no orçamento do Pentágono que preveem - além de um corte drástico no tamanho das Forças Armadas - um redirecionamento na política de defesa dos EUA, incluindo o fortalecimento da presença militar do país na região da Ásia e do Pacífico.

Em editorial publicado nesta sexta-feira, a agência de notícias oficial Xinhua disse que a decisão de Obama pode aumentar a estabilidade e a prosperidade da região. Mas advertiu que o "militarismo americano" pode pôr em risco a paz.

'Ambiente pacífico'

A Xinhua afirmou ainda que uma presença maior dos EUA na região pode ajudar a China a garantir o "ambiente pacífico" que Pequim precisa para continuar com seu desenvolvimento econômico.

Mas acrescentou: "Ao aumentar sua presença militar na Ásia e no Pacífico, os EUA não devem tentar demonstrar sua força, já que isso não ajudará a resolver disputas regionais", afirmou a Xinhua. "Se os EUA aplicarem de forma indiscriminada seu militarismo na região, será como ter um touro em uma loja de cristais, e isso porá em risco a paz em vez de aumentar a estabilidade regional".

Segundo o analista de Ásia da BBC Charles Scanlon, a decisão americana de focar na Ásia não deve ter pego os líderes chineses de surpresa. Entretanto, para muitos em Pequim, a medida poderia parecer uma estratégia de contenção, com objetivo de coibir o crescimento da China.

O governo chinês não comentou o anúncio de Obama ainda de forma oficial.

No entanto, o jornal do Partido Comunista chinês "Global Times" disse que Washington não pode impedir a ascensão da China, e pediu que Pequim desenvolva armas de mais longo alcance, para deter a Marinha americana.

Notícias relacionadas