Em meio a troca de acusações, Síria faz funeral para vítimas de atentado

Cerimônia fúnebre realizada pelo governo sírio para vítimas de atentados (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Governo acusa 'terroristas' pelo atentado; oposição diz que ação foi forjada por autoridades

Milhares de sírios foram neste sábado às ruas da capital, Damasco, para participar de uma enorme cerimônia fúnebre organizada pelo governo para as vítimas de um ataque a bomba realizado na véspera.

Ao menos 26 pessoas morreram na explosão de sexta-feira, incluindo membros das forças de segurança do país.

O governo prometeu responder aos agressores com "pulso firme", mas a oposição alega que o ataque foi forjado pelas próprias forças governamentais, em uma suposta tentativa de convencer o mundo e os observadores árabes de que há extremistas operando na Síria.

Jonathan Head, correspondente da BBC no Oriente Médio, explica que os ataques se inserem na narrativa oficial do governo, que alega estar combatendo não uma manifestação popular, e sim uma conspiração terrorista.

Enquanto isso, também de acordo com a oposição, ao menos mais 17 pessoas morreram em confrontos pelo país, que é visitado por observadores da Liga Árabe para supervisionar a implementação de um plano de pacificação sírio.

Neste final de semana, a Liga se reunirá no Cairo para debater as percepções da missão árabe.

O plano de pacificação da Liga, aceito pela Síria, prevê a retirada de militares das ruas e o fim do uso da força contra civis. Mas críticos dizem que Assad está usando a presença de monitores como um aval político e que os ataques contra civis têm continuado.

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Image caption Mais de 26 pessoas morreram em explosão na última sexta-feira

Segundo a ONU, mais de 5 mil civis foram mortos nos últimos dez meses na Síria, desde o início da onda de protestos pró-democracia e contra o presidente Bashar al-Assad.

Fotos e bandeiras

Os funerais deste sábado foram realizados em uma mesquita de Damasco, onde o ataque foi perpetrado. O local é comumente usado pela oposição durante protestos contra o governo.

Os caixões das vítimas foram trazidos em ambulâncias, que atravessaram ruas repletas de pessoas.

Mas a cerimônia foi claramente organizada pelas autoridades - muitos participantes carregavam fotos de Assad e bandeiras da Síria, que foram colocadas sobre os caixões. Algumas pessoas cantaram slogans pró-governo.

O ministro do Interior, Ibrahim al-Shaar, disse que o atentado de sexta-feira foi realizado por suicidas "com o objetivo de ferir o maior número possível de pessoas".

"Vamos revidar com pulso firme qualquer (ataque à) segurança do país e de seus cidadãos", acrescentou.

O Conselho Nacional Sírio, maior coalizão de oposição, acusou o governo de ter realizado os ataques, como uma tentativa de ofuscar os opositores do regime.

"É uma continuação do jogo sujo do governo para desviar a atenção de protestos maciços", disse um porta-voz do grupo, Omar Idlibi.

Duas semanas atrás, 44 pessoas morreram em um atentado semelhante, que também motivou trocas de acusações entre governo e opositores.

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