Presidente sírio tenta conter protestos com anistia

Bashar al Assad durante uma aparição pública em Damasco no dia 11 de janeiro Direito de imagem AFP
Image caption Na semana passada, Bashar al-Assad havia prometido 'esmagar terroristas' com punho de ferro

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, aprovou neste domingo uma anistia geral para todos os crimes cometidos durante os dez meses de protestos populares contra o governo, segundo anunciou a mídia estatal.

A anistia poderia ser aplicada aos desertores do Exército que se entregarem antes do final de janeiro, manifestantes pacíficos e outros que entreguem armas ilegais, segundo a agência oficial síria Sana.

Segundo a ONU, mais de 5 mil pessoas já morreram em consequência da repressão ao levante e 14 mil pessoas envolvidas nos protestos estariam presas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu a Assad o fim da violência no país.

"Pare com a violência, Pare de mater seu povo. O caminho da repressão é um beco sem saída", afirmou Ban durante uma conferência sobre democracia nos países árabes em Beirute, no Líbano.

Desafio à repressão

Assad já concedeu várias anistias a prisioneiros desde o início dos protestos, em março, mas milhares ainda permaneceriam presos.

Segundo o correspondente da BBC Jonathan Head, a anistia anunciada neste domingo ainda não indica o possível fim dos conflitos.

Dezenas de milhares de pessoas em várias regiões da Síria continuam saindo às ruas para pedir o fim do regime de Assad, desafiando a repressão do governo.

Em uma rara manifestação pública na semana passada, Assad acusou novamente as potências internacionais de tentarem desestabilizar a Síria e prometeu esmagar os "terroristas" com um "punho de ferro".

No sábado, o líder do Catar, xeque Hamad bin Khalifa al Thani, afirmou que os países árabes deveriam enviar tropas para a Síria para interromper o derramamento de sangue.

"Para uma situação dessas, para interromper a matança, tropas deveriam ir para lá", disse ele à TV americana CBS.

Esta é a primeira vez que um líder árabe defende publicamente uma intervenção militar na Síria.

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